COMPARTILHAR
João Bauer - Evento 60D - WSOP 2017

Nos últimos 30 dias, a comunidade brasileiros acompanhou fielmente um desafio proposto por um dos maiores jogadores de poker do Brasil, o craque João Bauer, campeão brasileiro de poker em 2015.

A proposta não era nada simples: transformar US$ 500 em US$ 10.000, no período de um mês. A dificuldade da tarefa refletiu nos dias do desafio. Passados 28 dias e mais de 1.000 torneios disputadso, o jogador encerrou com um bank de US$ 219,98.

Após Bauer anunciar o fim do desafio nas redes sociais, dois dos principais jogadores do país também se manifestaram nos comentários da publicação:

Felipe Mojave:

“Da hora mano, você mostrou a real e isso tem muito valor, novos players vão entender isso. Segue firme que você é fera demais nesse game, sabe como funciona. Abraços.”

Bruno Foster:

“GG João… E que sirva de lição pra essa turma que tá conhecendo o poker agora e que só enxerga as alegrias , também temos tristezas pelo caminho e não são poucas!! Parabéns pelo desafio mano.

Joao Bauer - BSOP SP

O SuperPoker conversou com o jogador sobre o desafio proposto e o atual momento do poker. Confira:

Infelizmente você não chegou à meta proposta, mas mesmo assim em nenhum momento deixou de atualizar a situação do desafio, por quê?

A intenção era fazer um desafio mostrando o dia-a-dia de jogar limites baixos, e todos os percalços que é jogar nesses limites.

No seu post de encerramento do desafio, você mencionou os grandes fields dos limites mais baixos. Essa foi a principal dificuldade? Ou ajustar o jogo para esses limites também é um desafio à parte, já que você está acostumado a jogar limites maiores?

A maior dificuldade que encontrei realmente foi no tamanho dos fields, para realizar o desafio em um mês eu precisava passar por fields gigantescos, de quatro, cinco mil pessoas. Ajustar o jogo a esse limite é algo que eu estou acostumado, afinal o que um jogador de poker mais faz é ajustar o jogo de acordo com os adversários que está jogando contra, seja nos limites mais altos ou baixos. Sempre vai ter jogadores bons, jogadores fracos, regulares fracos, regulares muito bons, a diferença é a quantidade. Nos limites menores vai ter muito mais iniciantes, jogadores fracos, mas esses também jogam limites maiores.

Pra você, qual o principal ensinamento que o desafio deixa para os jogadores que estão começando?

Que jogar poker não é fácil, seja em qualquer limite que você estiver jogando. Para se tornar profissional, precisa de muita dedicação e disciplina.

Você já analisou o que poderia ter feito de diferente para ter conseguido alcançar a meta?

Sim, acredito que o foco principal deveria ter sido os MTTs desde o inicio, ao invés de ter jogado bastante sits na primeira semana. Era primordial dobrar o bank em menos de cinco dias de desafio e eu só conseguiria isso com uma administração saudável de bank nos MTTs.

João Bauer - Evento 37 - WSOP
João Bauer – Evento 37 – WSOP

Já está em seu planejamento um novo desafio como esse?

Por agora não. Para eu fazer um desafio desse, praticamente tenho que parar todos os meus projetos e me dedicar de forma exclusiva. Mas com certeza farei outros.

Você acha que seria interessante outros grandes jogadores como você, que já conquistaram grandes resultados, fazer esse tipo de desafio?

É sempre legal ver bons jogadores fazendo desafios, sempre muito motivador. Lembro-me de acompanhar desafio do “spacegravy”, uma lenda dos sits, “boku”, outra lenda dos sits, e mais recente do brasileiro Von Baranow.

Muitos jogadores falam que começar no poker hoje está mais difícil. Após o seu desafio isso é mais um exemplo dessa dificuldade? E a que você atribui isso?

O nível hoje em dia é mais difícil porque as informações disponíveis estão praticamente abertas para todos, é muito fácil ter noções básicas.

E qual o seu principal conselho para quem está começando no poker?

Para quem estiver começando, a principal dica é sempre continuar evoluindo. Se tiverem o sonho de se tornar profissionais não desistam e não deixem ninguém fazer vocês desistirem desse sonho. Afinal nada melhor trabalhar fazendo o que a gente gosta.