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Um Rei No River no BSOP Millions 2015

 

O calor de derreter catedrais dominava a cidade de São Paulo naquele dezembro de 2015. Vencer o Main Event do BSOP Millions, por sua vez, era a obsessão de todos os jogadores que vieram à tórrida paulicéia para se aventurar nos feltros.

A vitória da prova, que contou com 3.457 entradas, coube ao catarinense André Andreis, o Coronel, que adicionou R$ 1.034.000 a sua conta ao vencer o paulistano Daniel Nagayama no heads-up.

Tempo quente, premiação milionária e field gigante à parte, o que acabou por rodar o mundo e chocou o mundo do poker naquele final de 2015 foi a mão que eliminaria o mineiro Ricardo Santana na oitava colocação.

Aquele ‘REI NO RIVER!’, que o empresário paulista Ciro Gomez acertou, ainda segue no imaginário dos apaixonados pelo poker e é difícil alguém acreditar que veremos algo parecido em torneios televisionados. O vídeo da mão – e da íntegra da mesa final – se encontra no final do texto.

Global nos bastidores

No ano de 2015 ainda não tínhamos a transmissão com cartas reveladas, mas no BSOP Millions recebemos o auxílio mais que luxuoso do pessoal da WTVision, responsável por colocar informações gráficas na tela. Isso foi uma mão na roda.

A equipe de narradores e comentaristas era composta por este que vos escreve, Caio Machado, Fábio Deu Zebra e Felipe Moraes. No dia final, destacamos Caio para ser o repórter de campo e ficamos os três remanescentes revezando o microfone.

Nesse derradeiro dia de Millions, recebemos na cabine de transmissão a visita do ator Thiago Lacerda, um grande apaixonado pelo poker e que participou por alguns minutos do show.

Naquele tempo ainda fazíamos o trabalho in loco e, sem o delay de segurança obrigatório nas transmissões com cartas reveladas, podíamos coletar informações no breaks e conversar com os jogadores sobre mãos.

Também recebíamos presentes de patrocinadores, fãs e sempre tínhamos por perto um bourbon, para degustar no final dos longos dias de labuta com os microfones.

A Mão

Aos 49 minutos da mesa final do Main Event do BSOP Millions, o mineiro Ricardo Santana do UTG +1, deu raise para 500.000 fichas. Ele havia começado a FT com 8.210.000 de stack, sendo o 7.o colocado (O brasiliense Hugo Ewerthon tinha apenas 3.000.000 de fichas no momento).

Imediatamente ao lado de Santana, Ciro Gomez aplica a 3-bet para 1.050.000, paga pelo rival sem muita demora. Felipe Moraes, nos comentários, avisava que seria interessante a mão ter um showdown. Coisas da transmissão raiz, sem cartas reveladas.

O flop trouxe 4d-3s-Kd, o pot estava em 2.700.000, ambos os jogadores deram check e ali passava pela minha cabeça que logo no começo da mesa final, com um jogador bem short como era o caso do Hugo, provavelmente a ação não envolveria muito mais fichas.

Com um Às de espadas no turn, Ricardo espera um pouco e sai apostando 900.000 fichas, Gomez aumenta para 1.950.000. Moraes acerta o range dele, restava saber o que segurava Ricardo. Eu estava feliz por estar enganado em relação ao pensamento depois do check-check no flop. As fichas voariam para o centro do gramado.

Com o all-in de Santana e o call de Gomez, Felipe Moraes coloca o mineiro em A-Q, o que é prontamente refutado pela imagem do A-A. O empresário paulista mostra K-K, eu questiono o que acontecia, lembrei rapidamente da mesa final avassaladora de Jorge Moutella.

O que aconteceu depois todos sabem. Rei no River e gritaria. Caio Machado, do lado da mesa dizia estar arrepiado. Ricardo saiu resignado e mudo no compasso da desilusão, R$ 120.000 mais rico, mas sem nenhum motivo para sorrir.

A mão rodaria o mundo. O Poker Stars a colocou em primeiro lugar num vídeo chamado TOP 5 Hollywood Hands.

Eu daria muitas explicações sobre o bordão “Um Rei no River”, muita gente achou que ele tinha sido criado ali, mas a verdade é que ele já frequentava o Piores da Semana desde 2013.

O Fim do BSOP Millions 2015

Naquele BSOP Millions o último monarca do baralho, que aparece na última carta, entrou para o imaginário geral, foi eternizado.

Mesmo atordoado, Ricardo conversou com Caio Machado e a entrevista vale a pena ser assistida. O mineiro, ainda que triste, foi preciso, educado e generoso.

Lá na cabine de transmissão foram necessárias algumas doses de bourbon para baixar a adrenalina.

O calor de São Paulo, outrora Terra da Garoa, maltratava, mas o que vivemos ali foi histórico e dificilmente acontecerá novamente.

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