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Por Felippe Constancio

Uma mudança importante está para entrar em vigor nos próximos torneios de No Limit Hold'em do BSOP (Brazilian Series of Poker). No intuito de abarcar ainda mais as práticas mais implementadas em grandes torneios internacionais de poker ao vivo, a preciosa série brasileira vai adotar, a partir da etapa Foz do Iguaçu, em março, a prática de os dealers cobrarem, além dos blinds, os ante nos heads-ups – algo que, por enquanto, só ela não estabelece entre os grandes torneios de poker do mundo.

E por que não estabelece? O diretor-geral do brasileiro, Devanir Campos, o DC, responde com suas próprias palavras: "Na maioria dos torneios aqui no Brasil não há (ante no heads-up). E falo sem problemas – no resto do mundo não é assim, tem ante no HU. Não tínhamos antes porque ele serve para estimular a ação na mesa, mesmo princípio do blind, porém de forma mais agressiva quando a mesa está cheia. No HU, o ante não faz mais sentido, pois os únicos jogadores à mesa já têm que colocar o blind e o ante não seria uma parcela significativa o suficiente para estimular uma ação. Tanto que só em torneios de HU não há ante em qualquer momento do torneio".

Mas então por que a mudança agora? Com cada vez mais estrangeiros frequentando as etapas brasileiras e cada vez mais brasileiros nos grandes torneios internacionais, fica cada vez mais interessante uma série brasileira com feições do mainstream do poker. Afinal, o BSOP é uma das referências mundiais. 

A mudança vem agora porque a questão do ante no heads-up foi pauta na 4ª reunião nacional da ADTP (Associação de Diretores de Torneio de Poker) que aconteceu na quarta-feira (24).

Presente na reunião que revisa e refina as regras dos torneios, o diretor do BSOP e da CBTH (Confederação Brasileira de Texas Hold'em), Alberoni de Castro, o Bill, enfatizou que a tendência é que a inserção do ante seja adotada pelos inúmeros clubes do Brasil no rastro do BSOP. "O poker não tem uma instituição que dite como deve ser jogado. Tem a ADTP que mostra e sugere as melhores práticas. Regras novas para melhor adequação trazem o desenvolvimento do jogo. Quanto mais claras e mais em comum as regras, mais fácil".

O debate sobre o ante chegou a dividir opiniões no salão de torneios do H2 Club de São Paulo, onde aconteceu a reunião de diretores. Mas no final da história, o consenso entre os presentes foi de que as práticas devem ser unificadas com o que o resto do planeta pratica. 

Apesar de ser um ponto que não impacta de grande forma o andamento dos torneios, este é mais um passo do Brasil no sentido de falar a mesma língua no esporte no exterior e de colaborar com uma padronização positiva, como sugere DC. “O BSOP se preocupa em manter a qualidade da disputa e ter eventos prazerosos. Neste sentido, não vemos que o ante no HU muda para melhor ou para pior. Então, se é para estar em conformidade com o padrão internacional e isso não traz malefícios ao torneio, por que não adotar?”.