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Dan Cates trocou os jogos de poker milionários por dança, culinária e caridade
Dan Cates trocou os jogos de poker milionários por dança, culinária e caridade (Reprodução/Instagram)

Dan Cates possui mais de US$ 9 milhões em premiações de torneios live, segundo o HendonMob, mas o maior foco de sua carreira sempre foram os cash games. Só no finado Full Tilt Poker, sob o nick “jungleman12”, foram mais de US$ 10 milhões de lucro, de acordo com o HighStakesDB. No PokerStars, sob o nick “w00ki3z”, a forra foi mais modesta, de quase US$ 1 milhão. Isso tudo sem contar os valores envolvidos em cash games privados, seja em Londres ou nas mesas milionárias de Macau.

Jogador tanto de No Limit Hold’em quanto de PLO, passando pelos Mixed Games, Cates já enfrentou todos os principais nomes dos chamados nosebleeds, como Phil Ivey, Viktor Blom, Tom Dwan (com quem jogou o até hoje inacabado “durrrr Challenge”), Gus Hansen, Patrik Antonius, entre muitos outros. Apesar do estilo low profile que levou pela carreira, nunca expondo muito sua vida pessoal, “Jungleman” não escapou de algumas polêmicas, como a mais recente envolvendo Dan Bilzerian.

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Por outro lado, Cates deixa muito claro, em suas redes sociais, que está em uma nova fase da vida e com focos que vão além do jogo. “Na verdade, [o poker] hoje não é uma prioridade”, contou o craque em entrevista ao SuperPoker. “Após 13 anos no mundo do poker, estou explorando novas maneiras de expandir além disso. Eu e meu time estamos tentando explorar maneiras de criar um conteúdo baseado em poker, mas para aquelas pessoas fora da comunidade do poker. Por exemplo, ensinar celebridades a jogar, colocá-los em um podcast e ensinar o básico”.

 

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Entre as novas atividades do americano, no lugar de intermináveis sessões de poker high stakes estão aulas de culinária, dança, atuação e mixagem, além do trabalho em prol da caridade. A presença no Instagram, onde recentemente fez o “desafio da banheira de gelo”, aumentou e passou a tratar do novo estilo de vida do jogador. Segundo Cates, o objetivo é nobre: dar exposição a seus trabalhos de caridade com a missão de inspirar as pessoas.

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Para abarcar os novos projetos, ele criou a Fundação Dan Cates, que teve como primeiro ato a construção de uma escola em Zanzibar, na África. Através dela, “Jungleman” pretende poder ajudar mais pessoas também em outros países. O início de tudo foi uma epifania. “E ali eu percebi… Eu não preciso realmente dar uma festa maluca. Eu prefiro ajudar pessoas. Então entrei de cabeça no projeto sem saber realmente o que estávamos fazendo. Tive uma curva de aprendizado e agora estou com projetos em Senegal, Gana e também considerando o México.”

Na entrevista, Cates falou tudo sobre sua nova fase na vida. No entanto, é claro que o poker também foi pauta. O craque americano escolheu os cinco melhores oponentes que já enfrentou, falou sobre quando perdeu US$ 10 milhões em apenas uma mão, a vida durante a pandemia de Covid-19 e muito mais.

 

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Pelos últimos meses, é possível ver você se dedicando a sua página no Instagram, enquanto antes você costumava ser mais low profile. O que motivou essa mudança e o que seus fãs podem esperar daqui para frente?

Após 13 anos no mundo do poker, estou explorando novas maneiras de expandir além disso. Eu já tive experiências em atuar, dançar, aprender a ser um DJ, ter outros interesses pessoais, e em uma escala maior, comecei uma caridade para tentar ajudar outras pessoas.

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Minha visão é ter um grande impacto no mundo, e a minha ideia maluca para isso é: “Se eu me tornar um ator famoso de Hollywood, poderia ter um impacto e influência muito maiores para realmente fazer a diferença.” Mas estou percebendo que talvez esse obejtivo seja um pouco ambicioso demais.

O que você pode dizer sobre a Fundação Dan Cates e o trabalho que você pretende fazer lá?

Em breve, divulgarei um pequeno documentário sobre a primeira escola que construí. Foi uma história maluca, eu estava planejando organizar uma festa insana em Zanzibar para meus amigos da Bikini Brand. Mas conheci uma mulher em Londres que conhecia pessoas que estavam construindo uma escola em Zanzibar. E ali eu percebi… Eu não preciso realmente dar uma festa maluca. Eu prefiro ajudar pessoas. Então entrei de cabeça no projeto sem saber realmente o que estávamos fazendo. Tive uma curva de aprendizado e agora estou com projetos em Senegal, Gana e também considerando o México.

Meu objetivo é liderar através do exemplo, contribuir parte do meu próprio dinheiro, mas, principalmente, inspirar outras pessoas com dinheiro a contribuírem na arrecadação. Usando meu nome, minha marca, minha liderança.

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Quem são os cinco jogadores mais difíceis que você já enfrentou nas mesas?
Phil Ivey, Matt Ashton, Trueteller [Timofey Kuznetsov], Ike Haxton, Phil Galfond.

Quem são seus melhores amigos no poker?
Philip Gruissem é uma das melhores pessoas que já conheci. Também Justin Smith, Rob Flink, Ben Lamb e Rui Cao.

 

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De quanto foi o maior pote que você já disputou? Como foi a mão?
O maior pote que já joguei foi em um jogo privado. Foi all in pré-flop em Short Deck com US$ 10 milhões cada. Eu tinha KK, o outro jogador tinha AK. O flop foi AK6. Turn foi um 7. Tentei comprar seguro na mão, mas não entendi bem o que estava acontecendo. O river foi um A

O poker ainda é uma de suas prioridades? Como sua perspectiva sobre o jogo mudou durante sua carreira?
Na verdade, não hoje é uma prioridade. Eu e meu time estamos tentando explorar maneiras de criar um conteúdo baseado em poker, mas para aquelas fora da comunidade do poker. Por exemplo, ensinar celebridades a jogar, colocá-los em um podcast e ensinar o básico. Eu acho que seria interessante, por exemplo, ver se Leonardo DiCaprio dá fold ou call no river, ver a Selena Gomez começar a entender tabelas pré-flop, ver Connor McGreggor tiltado após perder com um flush no river contra um full house, etc

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Como você tem lidado com a pandemia de Covid-19? Sente falta do poker ao vivo?
Não mudou meu estilo de vida em nada. Estive a maior parte do tempo em Londres e consegui um time ao me redor que me mantém numa rotina: aulas de culinária, yoga, aulas de dança, fotos para o Instagram.

E nos últimos meses de 2020 eu participei de alguns jogos privados aqui também. Eu não sinto falta dos torneios, parece ser apenas brilho e glamour, mas realmente é apenas um monte de viagens e estresse. E torna difícil manter uma boa rotina ou criar raízes.

 

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Você tem falado bastante sobre crescimento pessoal. Que hábitos você adicionou à sua rotina para tentar melhorar como pessoa?

Aprender a dançar tem sido uma grande coisa, estou tentando me manter em um ritmo positivo durante as manhãs. Outro ponto é se cercar de pessoas que possuem habilidades complementares. Em Londres, por exemplo, meu time é formado por dois caras que não sabem nada de poker. Por outro lado, eles são ótimos em criar eventos, conectando-me com pessoas influentes.

Através deles conheci um príncipe indiano, ganhei corridas grátis de Rolls Royce, recebi artistas e estrelas do esporte em casa, fiquei conectado a oficiais poderosos do governo de países africanos… Se eu tivesse apenas me mantido entre meus amigos de poker, essas coisas nunca teriam acontecido.

Poderia mandar uma mensagem para seus fãs de poker brasileiros?

Um abraço para todos no Brasil, sempre quis visitar seu belo país e eu espero que minhas viagens me levem aí em breve.

Confira as pílulas do Pokercast: