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Entreveros e percalços de quando em quando acometem o poker e seus praticantes. Essas eventualidades – como o cancelamento da etapa do Rio de Janeiro do BSOP, em maio – são, porém, cada vez mais “eventualidades” de fato.

“O tempo é o senhor da verdade”, diria algum ditado. Pois então que cada vez mais ele (o tempo) se encarrega de diminuir a ignorância da sociedade em relação ao poker, aumentando o número de autoridades que se colocam a favor da prática do esporte no Brasil.

Em artigo intitulado “Consequências jurídico-penais para a prática e exploração do pôquer no Brasil”, Bráulio do Carmo Vieira de Melo, Delegado de Polícia Federal, esclarece, com base em sua experiência e know-how técnico, passo a passo os porquês de o poker ser uma atividade licita e legitima perante as leis do Brasil.

Vieira de Melo coloca em detalhes suas posições sobre alguns dos assuntos mais palpitantes do poker: da preponderância da habilidade sobre a sorte aos pagamentos e transações de dinheiro pela Internet. Confira aqui o parecer completo do delegado Vieira de Melo.

Técnico e longo, o texto (que tem quase 100 mil caracteres) pode não ser ter palatável a todos os leitores, mas vale a lida. Explica passo a passo as minúcias da lei perante o poker, além de fazer referência a outros pareceres favoráveis ao poker publicados nos últimos anos, por juristas do maior gabarito e outras autoridades, como o renomado Miguel Reale Junior, um dos mais importantes nomes do direito no Brasil.

Além de Reale e agora Vieira de Melo, o advogado criminalista e membro aposentado do Ministério Público de São Paulo, Carlos Buono, também publicou recentemente parecer em que defende o jogo como atividade legal.

“O poker não pode ser considerado jogo de azar porque é uma atividade lúdica. É um desafio mental em que a sorte e o azar – que vem do latim e significa chance – dependem da destreza do jogador”, disse Buono, em entrevista ao repórter Felipe de Queiroz, publicada na última edição da revista Flop.