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Fernando Grow é um dos jogadores mais difíceis de se conhecer nos panos. Educado, ele certamente é capaz de manter uma boa conversa por horas, mas o que o faz fraco ou forte em uma mão, nunca se saberá. Gambler no sentido mais puro da palavra, os anos parecem ter feito dele uma máquina de combinar cartas, peculiarmente programada para rentabilizar.

No Limit Hold'em, Omaha, torneios ou cash games. Um dos melhores alunos da "escola do poker ao vivo" que o Brasil já teve, ele é conhecido por sua destreza de conduzir uma disputa pós-flop de forma plástica em qualquer modalidade, como uma luva elástica que tem a capacidade de se molda em qualquer mão.

– Muitas vezes um cara do online tá ali jogando um monte de torneio. Ele faz rápido. Já sabe tudo o que vai fazer. "Ah, esse AK eu subo '3x' e depois que ele pagar é tal coisa no flop". Ele parece jogar em um esquema, e aí não parece ter muita paciência para ficar em uma mesa só por 12 horas. Aquilo ali fica ruim pro cara.

Com muito mais fibra trabalhando na explosão, um jogador do online pode fadigar em uma prova de resistência. Grow se aproveita de um perfil mais condicionado a lidar com um alto volume de informação do que preparado para processá-las, no caso dos assíduos do online, ao passo que lança mão de sua leitura corporal, posição de espectador e análise pós-flop mais paciente.

– Jogar ao vivo é mais fácil que online? Não sei se dá pra dizer isso. Olha quantos grinders cravam torneios no live… claro que tem, mas na hora que o jogador do ao vivo vai pro online também se dá muito bem. Olha só o que o Garrido fez.

Atual campeão brasileiro de Texas Hold'em, Rodrigo Garrido cravou o Sunday Million US$ 215 do PokerStars em meados de fevereiro depois de superar um field de 6.657 jogadores. Como premiação, o especialista em torneios ao vivo levou US$ 166.746.

O próprio Grow realizou façanha do tipo nesta semana. Na terça-feira (3), o campeão brasileiro de Omaha forrou quase US$ 100 mil ao engatar em outros dois grandes torneios do PokerStars – o Super Tuesday de US$ 1.050 e o The Big de US$ 55, nos quais ficou em terceiro.

"Mas o que eu gosto é isso aqui" diz Grow ao apontar para uma mesa durante o intervalo do Dia 1A do LAPT (Latin America Poker Tour) de Viña del Mar, no Chile. Ele foi o chip leader brasileiro do jogo.

Onde Grow estava quando disputou os eventos online? Nos panos do H2, principal clube de poker da América Latina, em São Paulo. Ele jogou pelo celular.