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Damian Salas
Damian Salas

Único representante sul-americano na mesa final da WSOP 2017, Damian Salas, que já era um jogador bem conhecido por tudo o que já fez durante a carreira, está com todos os holofotes apontados para ele agora. A sétima colocação e o prêmio de US$ 1.400.000 no palco onde todos amantes de poker desejam estar, tornaram o argentino um dos nomes mais comentados do ano pela América do Sul.

Assim como Bruno Foster foi pioneiro para o Brasil, Salas foi para a Argentina, colocando a bandeira alviceleste entre os nove finalistas do maior torneio de poker do mundo pela primeira vez. Na WSOP Argentina, disputada recentemente, o profissional do Aconcagua Poker foi recebido por todo o salão sob aplausos. Era fácil ver Salas sendo parado para tirar fotos com alguns jogadores.

Quando foi eliminado da mesa final da WSOP, com bad beat para o americano Dan Ott, o argentino ficou desolado. Só que o tempo passou e a dimensão do resultado já foi absorvida.

“Obviamente, quando caí, foram 1 ou 2 minutos devastados, precisava do meu momento para repor a calma. Foram 10 dias onde mantive a concentração muito alta, jogando um poker de muita qualidade, quase sem cometer erros segundo o meu critério. E bom, veio esse momento e em seguida… foi tudo… não sei dizer, se alegria ou a tranquilidade de ter feito bem as coisas, dei um abraço na minha esposa, no meu pai e a partir daí foi todo um processo de muitos dias, e que pouco a pouco comecei a externar tudo o que significou esse evento”, contou Salas.

Motivo de muita polêmica, o fold do argentino com AQ que viralizou nas redes sociais e divergiu jogadores de poker do mundo inteiro, também foi comentado. Damian Salas explicou, com muita paciência, três grandes motivos que o fizeram tomar a decisão de largar a mão. E no final ainda emendou um “easy fold”.

“Tive várias razões. Primeiro, de um ponto de vista estritamente matemático, que depois muitos colegas que tem embasamento e usaram softwares de apoio, corroboraram, para mim, a minha sensação – claro que não tenho uma calculadora na cabeça -, por ICM eu deveria foldar essa mão, algo que depois foi corroborado. Claro que eles não estavam colocando no range de push KJ suited, que foi a mão que o Sinclair foi de all-in UTG, o que me pareceu um claro erro da parte dele, um erro muito grosseiro, algo que cometi quando estava com 77, quando tinha 14 big blinds, quando achei que ninguém me 3-betaria light e não fazia sentido shovar UTG+1, já que só tomaria call de mãos muito melhores. Depois termino ganhando essa mão contra QQ, mas o natural era perder. Na mão do A-Q, primeiro a razão matemática, as contas que eu fazia não fechavam. Segundo, é muito importante, mesmo sendo talvez um ato soberbo da minha parte, mas eu me sentia, mesmo com meu stack curto, com uma vantagem sobre a média da mesa, claramente. Estive jogando com todos eles por muito tempo e vi que tinham vários leaks (vazamentos) no jogo deles e que eram exploráveis. Tinha que aparecer o meu momento. Obviamente que quando você se sente acima da média, claramente tem de evitar as decisões marginais, no limite. Se estivessem na mesa quatro ou cinco monstros do poker, aí sim aceitaria tomar decisões marginais. Terceira razão: Piccioli estava à minha esquerda, eu estava de óculos escuros, e creio que ele estava muito pressionado pela situação, se levantava todas as mãos e ia tomar cerveja, gin tônica e comer pizza com os amigos, me parece que era a forma que ele tinha de canalizar essa pressão que sentia. E eu com meus óculos escuros, não porque pense que eles tenham tells, mas porque posso ver as coisas sem que as pessoas percebam. E quando estou pensando, a primeira coisa que faço depois que Sinclair fala “all in”, é olhar os dois jogadores do meu lado e nisso, vejo Piccioli, que quando vê a primeira carta que recebeu parecia alegre, respira tranquilo, vê a segunda carta e toma uma posição totalmente diferente das que tinha quando não vinha jogo. E por último, tenho 18 blinds, o cara deu push de 13 blinds, isso quebra meu stack, não vou ter fold equity depois, para piorar vem o blind na mão seguinte, fico comprometido, vou ter que ir all-in e não sei se ficar com 30, 35 blinds e vai mudar muito a situação. Como te disse, foi um easy fold, easy, easy, easy”, analisou, detalhadamente, Salas.

Por fim, Damian ainda foi direto sobre ficar se vangloriando ou remoendo o que aconteceu na mesa final da WSOP 2017.

“É importante dizer que não vou ficar escorado nesse feito, foi bom demais, uma experiência espetacular, mas eu sempre trato de me concentrar do que acontece no presente, em desfrutar do que faço. Então a minha sensação, hoje, é de tranquilidade e estou contente pelo que aconteceu, mas de algum jeito prefiro desfrutar do presente”, finalizou.

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