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João Hayashi
João Hayashi

João Hayashi colocou seu nome na história do poker brasileiro ao vencer o Main Event Medium do SCOOP (Spring Championship of Online Poker) nessa quarta-feira (20). Para levar o generoso prêmio do campeão, o jogador de 26 anos de Ponta Grossa (PR) precisou não apenas passar por um field de 6.475 entradas, mas também virar o heads-up contra “merla888”.

O oponente, inclusive, chegou a recusar um acordo no mano a mano decisivo, alegando que queria um valor maior por considerar ter vantagem sobre o brasileiro. “Eu ri e resolvi jogar. Eu entendo um pouco o lado dele, ele já é um jogador conhecido e eu um random”, contou João. “Mas eu venho há anos me preparando, não ia deixar ser fácil pra ele. Fiz meu melhor e também tive sorte, e acabei virando o HU e vencendo o torneio.”

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O primeiro contato do paranaense com o poker veio ainda criança através do pai, e o jogo fazia parte de reuniões de família. No entanto, foi apenas em 2016 que João conheceu a parte estratégica do poker. “Depois disso, redescobri o jogo e fiquei fascinado pela mistura de lógica, estratégia e a questão psicológica que envolve o poker”, contou o campeão. “Também vi lá que alguns jogadores conseguiam ser profissionais, e analisando gráficos cheguei à conclusão de que era sim um jogo de estratégia e de habilidade no longo prazo.”

A partir daí, João consumiu todo o material gratuito que conseguiu encontrar na internet, praticando os novos conhecimentos em torneios de US$ 0,25 e sit and gos após o trabalho e a faculdade. A primeira participação em um time aconteceu no Cardroom Poker Team e, alguns meses depois, o jogador entrou para o Polarize Poker, time de craques portugueses.

“O time tem como head coaches o Ruinf [Rui Ferreira] e o Zagazaur [Filipe Oliveira]”, explicou João. “Além deles, aprendi muito com Fernando “Squeezamos” Ferreira e com Luis Dono, entre outros. Lá aprendi o que é ser profissional de poker de verdade, e melhorei meu jogo em 500%. Dentro da Polarize fui subindo os stakes gradativamente e lá fiquei por quase 3 anos, estudando e jogando poker quase todos dias.”

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Há cerca de três meses, o brasileirou deixou o time e passou a disputar cash games, conquistando bons resultados. Assim, praticamente não jogou esta edição do SCOOP, mas resolveu se arriscar no Main Event, e o resto é história. “Esse resultado significa reconhecimento por um trabalho diário e ter meio que aquela sensação de ‘eu consegui, vocês não acreditavam, mas eu consegui'”, revelou. “Já me senti muitas vezes subestimado por várias pessoas no poker e fora dele, mas sempre tive muita confiança no trabalho que venho fazendo no dia a dia.”

Por outro lado, João mostra a consciência de que o título é mais um passo no caminho certo, não o destino final. “Uma coisa que é meio clichê, mas é verdade, é que não sou melhor jogador hoje porque ganhei o Main Event do que era ontem”, explicou. “Não é um resultado que faz um jogador ser bom ou não, mas sim as decisões que toma no dia a dia, a consistência e a ética de trabalho.”

Para ficar com a vitória, ele acredita ter jogado seu melhor poker, destacando também a imporância da disciplina. “Eu estava muito focado todos os dias, e acredito que é resultado de um trabalho fora das mesas, relacionado à rotina (atividade física, alimentação e meditação) e também àquele friozinho na barriga bom que nos ajuda a estar em um estado de presença fora do comum.”

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Entre as mãos disputadas no torneio, se destaca uma em que um blefe se tornou valor no river. “Eu dou check raise no HU com 46 no flop 75T rainbow em bluff, num board em que acerta bem meu range de call no BB. Levo call, continuo barrelando numa Q no turn, com size alto (meu range é muito polarizado), e acabo hitando open ended no river, foi uma das mãos mais decisivas.”

O título foi dedicado àqueles responsáveis tanto pelo início do brasileiro no poker, quanto à sua evolução. “Gostaria de dedicar à minha família, especialmente meu pai, que é amante do poker antes de mim apesar de jogar só por diversão. Aos meus amigos mais próximos que sempre estiveram comigo, não importa a situação. E também a todos que me ensinaram algo, tanto no poker como na vida em geral. Sempre aprendendo essa é a busca. Obrigado por todos que torceram por mim.”

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