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Pocket Poker - Flora Dutra
Pocket Poker - Flora Dutra

Na coluna dessa semana, o Pocket Poker tentará desamarrar os fenômenos da vida cotidiana das mulheres que constituem as redes sociais de poker no Brasil. A convidada dessa semana é a Mental Coach e Poker Player Luana Matos, que aborda como o cenário de jogadoras de poker está crescendo e influenciando na cultura do jogo. O poker, como prática social, está se modificando junto com as transformações culturais digitais. Há uma naturalização dos dispositivos e das redes sobre poker que vão sendo incorporados na vida cotidiana de nós mesmos e, a partir dessa ambiência midiática, os aplicativos de toda ordem produzem processos visuais, sonoros e textuais que são gradualmente incorporados dia após dia.

Luana nos conta que há três anos joga poker. “No dia que eu joguei falei que queria isso pra minha vida. Eu fiquei apaixonada quando joguei poker a primeira vez, foi alucinante. Depois comecei a jogar com bastante frequência, fiz coachs, e hoje eu jogo mais online que live. Eu e a Regina Cassab jogamos hoje no Inside Poker School”. Vivendo no mercado do poker além de grinder, Luana nos conta que a interação na Liga Paulista Feminina de Poker é bastante ativa, mas, antes de se conhecerem, a sociabilidade entre as players era mínima. O conteúdo especializado sobre poker que é abordado, filtrado e citado por elas no grupo do Whatsapp revela a relevância e a centralidade destas emissoras passando a produzir seu próprio conteúdo também.

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As redes sociais relacionadas ao poker, desde grupos do Whatsapp, Facebook, comunidades online, fóruns e perfis são mediações ativas e de iniciativas que impulsionam ainda mais o convívio entre as mulheres que jogam poker. “Hoje em dia o field feminino nos torneios Ladies está crescendo bastante, inclusive muitas mulheres que eram jogadoras já e que não jogavam o Ladies passaram a jogar. Mesmo assim, somos 5% do field ainda, é restrito. Contudo, no início não existiam amigas, era muito difícil. Depois da Liga é que temos nossos encontros e churrasco, num evento que produzimos chegou a ter 30 mulheres”, conta ela. O consumo destes bens simbólicos que envolvem o poker e as mulheres torna-se interativo, especializado e interligado como sistemas de percepção, participação e inteligência coletiva através de narrativas convergentes e transmidiáticas potencializadas, claro, pelo uso dos smartphones.

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Com aplicativos cada vez mais variados em relação a público e preço, essas mídias sociais alteram a sociabilidade e modificam atitudes, invertendo valores até então estabelecidos. “A questão de buy-in free para as mulheres que a Liga propôs, de certa forma saiu um pouco do nosso controle. A ideia inicial era fazer uma ação promocional para trazer jogadoras iniciantes que não tinham o hábito de jogar dentro de clubes, queríamos um ambiente mais receptivo para elas. Os torneios Ladies são de certa forma uma preparação para que a mulher sinta segurança no jogo dela para jogar outros torneios depois, essa é a pegada da Liga que eu mais gosto”, complementa Lua.

A partir destes debates, nascem na internet e se estendem para o cotidiano, pois a convergência midiática é um argumento explícito da contemporaneidade, e foi nos últimos anos que vimos os smartphones cada vez mais fundamentais nas estratégias de lançamento de plataformas para o poker assim como influencers. Neste contexto de tecnologias móveis e de aplicativos em expansão, são as mulheres que se destacam neste reconhecimento de mercado. Assim, também tem sido uma alternativa para elas buscar maior visibilidade e acesso a novos usuários e interação online.

Luana Matos - BSOP São Paulo
Luana Matos – BSOP São Paulo

Como bem lido aqui no Pocket Poker, no decorrer destas últimas edições da coluna, percebemos e evidenciamos que o mercado de poker está longe de ser restritivo apenas aos players, é muito mais do que isso. Assim, a competitividade de produção de conteúdo que gera um capital social para estas mulheres inseridas no mundo do esporte da mente dita moda sobre os aplicativos cada vez mais segmentados do jogo, e as mulheres tomam este nicho no ciberespaço para trabalho, conectando diferentes públicos, mercados, lojas online, agências e agentes, etc.

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Percebemos que há uma valorização da individualização, do gosto pessoal e da conectividade, assim, empresas apostam na fragmentação para investimentos diversificados. Mas isso não é problema para estas mulheres que desafiam nichos cada vez maiores no poker. Elas são nossas mensageiras, transmissoras e influenciam o debater ao mostrar a expansão que o poker está tendo no Brasil. Explorar o mercado de redes sociais e de divulgação de aplicativos móveis para o poker é um estilo de vida compartilhado por elas e seus grupos altamente móveis, embora a mobilidade esteja relacionada ao grupo de amigas e ao jogo. A constante ligação com os smartphones e o corpo também revela capacidades destas mulheres de utilização e criação muitas vezes de práticas sociais e culturais codificadas em suas memórias corporais, sendo resultado da singularidade destes novos contextos que atravessam o público feminino e o poker.

Para concluirmos, entendemos que os grupos e as redes sociais em que estas mulheres estão inseridas ajudam não apenas na visibilidade delas e do jogo, mas também em suas competências socais e culturais que desafiam elas mesmas em um processo contínuo e veloz da ressignificação de suas identidades femininas. Vida longa à organização, influência e mobilização destas amantes do poker.

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