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Pocket Poker - Flora Dutra
Pocket Poker - Flora Dutra

O poker, em nossa sociedade, tornou-se uma das questões-chave para compreender os processos culturais, especialmente no interior do debate sobre entretenimento e consumo que perpassa todas as classes sociais relacionada aos jogos. A cultura de consumo do poker pode ser abordada como um espaço de negociação, como um conjunto de rituais no universo feminino e há uma razão pela qual o jogo se espalhou como uma diversão independente de gênero e geração: ele é incrível e fácil de aprender, mas de grande complexidade para se dominar. Nesta semana, mostro como este esporte conquistou as mulheres brasileiras ao desafiá-las na atenção, no foco e, principalmente, na compreensão de outros seres humanos, pois a sociabilidade agregada ao poker é imensa.

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Além de aspectos que melhoram a vida, pensemos que vários de nossos hobbys custam dinheiro sem retorno financeiro: cinema, festas, restaurantes, viagens, etc., mas, com o poker, você se diverte e ainda tem a chance de sair no lucro. “Para nós o poker é apenas diversão mesmo, não é fonte de renda e o que entra em prêmio de torneios acaba sendo um plus aqui em casa e é a forma de participarmos de outros torneios, então a gente faz disso uma verdadeira diversão em família, e em casal”, relata Viviane Lange Lopes, que está em viagem com o marido no Caribbean Poker Fest e nesta semana ela subiu ao pódio do torneio Ladies do evento na ilha caribenha.

As mulheres que consideram o poker como um hobby buscam sempre estudar para melhorar suas performances nas mesas. Conforme os relatos a seguir, elas confessam que recebem dicas de profissionais ou pessoas qualificadas para seguir adiante. “Eu comecei a me encantar pelo poker quando meu filho começou a jogar. Eu não sabia absolutamente nada de poker e achava que quem tivesse AA ganhava o torneio. Quando voltei de uma viagem de Las Vegas com o Vini (filho e jogador profissional), em 2014, o Mojave me deu um curso de iniciante, e fiz em 2015, foi o começo de tudo”, conta Beth Silva, que hoje é bicampeã Ladies do BSOP.

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O poker é um jogo comunitário que requer interação social. É por isso que o jogo serve para todas as pessoas, em todos os cantos do mundo, ele é um hobby globalizado, estando também presente nas plataformas online em expansão veloz. A bancária Jéssica Oliveira conta que no trabalho, às vezes, trocava dez reais por moedas de cinco centavos e assim o marido a ensinou a jogar com os irmãos dele. “Quando tirei a licença maternidade eu jogava quase todo santo dia, jogava muito Sit and Go. Agora, o tempo que eu tenho disponível eu sempre estou tentando jogar alguma coisa em vários sites”.

As mulheres não precisam se tornarem profissionais para desfrutar de toda emoção e adrenalina que o poker proporciona, pois sempre será uma mistura de sorte e habilidade, um jogo que você pode melhorar com a prática e estudos de estratégias lucrativas. Além de ser um jogo popular, ele estimula o cérebro, sendo mentalmente desafiador para mulheres que buscam uma competitividade além da diversão. “Para resumir o poker em uma palavra, para mim seria instigante, ele mexe muito comigo, me deixa empolgada, feliz, triste, pensativa, me faz pensar no que eu tenho que melhorar. É uma sensação muito boa participar de torneios”, informa Patrícia Picinin.

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A inserção da cultura do poker conecta as distinções de classe, especialmente com premiações em dinheiro mediante as vitórias, e, apesar de não ser palpável, o desejo por jogar poker não pode ser ignorado quando se analisam as formas de consumo que é incorporado na cotidianidade intrínseca às relações materiais. “Com relação à grana é bem complicado, eu sou mãe solteira, trabalho como autônoma e faço faculdade. Para mim, é como se fosse juntar moedinha para poder jogar, sabe? E como a gente faz vários home games, alguns eu não vou por estar sem grana. E sempre que aparece algumas coisas grátis, eu tô lá! Eu já fui em palestras no Guerra Prime Club e no H2 Club, e, quando tem o Ladies Free, eu sempre tento ir”. Este é o relato da Raquel Xavier Dias.

Ela ainda destaca que um dos fatores que a faz continuar jogando poker é a aproximação com mulheres “fortes”, são as campeãs que a inspiram com todo conhecimento e humildade, citando a craque Nadin Kuntze como exemplo. “Ela percebendo que eu não era profissional me deu várias dicas e me explicou muita coisa. Eu tenho muito orgulho de conhecer essas mulheres e ver a força delas e saber que a gente também pode ocupar este espaço que para mim era muito fechado”.

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É neste sentido que as jogadoras recreativas dão lugar aos valores e sentidos que o jogo proporciona, pois o consumo do poker surge como um sistema de integração de grupos, que perpassa o ambiente de trabalho dessas mulheres e a família, organizando práticas sociais que geram codificações distintas entre as classes. É desta maneira que a circulação do poker no cenário feminino atual apreende estratégias de mercado sem perder de vista sua relação com a demanda, pois muitas estratégias são engendradas pelos clubes para posicionar o público feminino neste espaço social do jogo, garantindo acesso a determinados eventos. A trajetória das mulheres jogadoras recreativas de poker nos ajuda a compreender as práticas do consumo e sociabilidades ao apresentarem seu próprio gosto e estilo de vida pelo esporte da mente. Até semana que vem!

 Flora Dutra, jornalista, antropóloga e jogadora de poker.

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