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Pocket Poker - Flora Dutra
Pocket Poker - Flora Dutra

Minha paixão, que liga diretamente a Antropologia e o poker, tem como objeto de estudo as pessoas. Como antropóloga, consigo interpretar e observar o comportamento humano examinando hábitos, costumes e tendências de determinados grupos sociais. Nesta semana, apresento “As minas do grind”, mulheres que jogam poker online e que definem um novo lifestyle para as aspirantes a poker players. Nesse estilo de vida, inserido em um meio predominantemente masculino e que contempla tecnologias, alimentação, exercícios físicos e estudos, ser uma grinder é um contínuo processo de superação, aprendizado, disciplina e empoderamento. Conversei com algumas jogadoras brasileiras e revelo, a seguir, como as condições de existência dessas mulheres produzem vínculos diretos com o controle das emoções, a tolerância à frustração, a autoconfiança e a disciplina, assim como o aumento de foco e inteligência.

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Sabemos que a posição das mulheres no poker não é “igualitária”, equivalente, nem equipotente ou simétrica, mas é no grind online que elas rompem os contextos naturalizados e acabam abrindo espaço para outras mulheres se aventurarem nas telinhas. A invisibilidade das mulheres em pódios online está sendo sanada gradativamente; só nessa última semana de WCOOP, tivemos a Juliana Mariano cravando o Evento #50 Low (U$22 NLHE 8-max, Progressive KO). Mas, como nem tudo são flores e as cravadas são raras, Jéssica Oliveira (22 anos) conta que, durante sete meses, sustentou a família unicamente com os ganhos do poker online. “Eu fiquei mantendo a casa, escola, comida, contas e remédios apenas jogando o micro limit.”.

Para a grinder paulista, o poker online proporciona a liberdade de poder estar em casa com o filho pequeno e de gerenciar melhor seu tempo. A maior dificuldade apontada por ela é a falta de apoio familiar e a conciliação do grind com as tarefas domésticas. Atualmente, ela se dedica ao Spin and Go, jogando para o time polonês Smart Spin. A organização da casa e da alimentação também é apontada por Núbia Severo como uma parte importante da preparação pré-jogo; ela deixa suas manhãs livres para atividades físicas, organização do lar, preparo de refeições e estudos.

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Núbia joga poker online desde 2013 e atualmente é player do Suits Poker Team; ela acredita que a disciplina seja uma das coisas mais importantes numa jogadora. Já a psicóloga Gabriela Caminha relata que, somente após a faculdade, teve o tempo necessário para se dedicar à parte teórica do jogo, por isso decidiu entrar para o Insight Poker Team. Suas maiores dificuldades são as longas sessões diárias de grind e as expectativas iniciais sobre o ganho financeiro. “Viver só do poker não é fácil, mas é isso que estou buscando no momento”, conta.

O cenário do poker feminino está evoluindo tanto no field online quanto em sua representação nos canais de mídia. Para a economista e jogadora do Step Team, Grazy Peixoto, há um crescimento considerável de jogadoras no mercado. Segundo ela, “temos muitas mulheres inspirando outras a se tornarem poker players e o cenário feminino está cada vez mais vasto. O longo prazo chega porque é matemática, foi isso que eu escolhi para minha vida”.

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Pilotando a conta que tem o seu sobrenome, e famosa pelas quadras online que viralizou, Rebecca Rebuitti joga tanto live quanto online. Vivendo há quase 4 anos exclusivamente do poker, Rebuitti conta que a maior dificuldade foi lidar com a família e o controle das emoções. “Sempre penso no que posso estar errando e busco estudar e me preparar emocionalmente para não influenciar nas minhas decisões durante o jogo. Não gosto de tornar o grind maçante e começo quando me sinto bem para dar o meu melhor”.

Jéssica é mãe, Núbia é contabilista, Rebeca é blogueira, Gabriela é psicóloga e Grazy é economista – além de poker players o que elas têm em comum? Todas deixaram algo importante de suas vidas para trás e hoje se dedicam exclusivamente ao poker e ao que ele pode proporcionar. Revelam que os aspectos físicos, psicológicos, emocionais e sociais do poker não se restringem apenas ao click da ação da tela, mas que são questões que incorporam o mundo que as cerca e as constitui, como uma história a ser contada. Vida longa às grinders brasileiras!

 Flora Dutra, jornalista, antropóloga e jogadora de poker.

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