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Com o aumento do número de mulheres jogadoras profissionais de poker, a aparição em mesas finais de grandes torneios mundiais tornou-se consideravelmente mais comum do que há algumas décadas. Este é o cenário de fundo da coluna desta semana, que traz como convidada especial Sandra Mohr, diretora do documentário de longa-metragem Poker Queens: Glamour, Glitz, Guts, Glory: They’re All In, ainda sem data de lançamento definida. Mohr relata, em nossa entrevista, que seguiu as estrelas femininas de poker mais conhecidas na busca por um bracelete na WSOP. Ela viveu durante um mês em uma suíte de hotel com sua equipe, para as gravações, e realizou um projeto anterior, chamado Black Widow Poker: A Woman’s Guide to Winning a Man’s Game (2018), para entender melhor o universo feminino.

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Nesse projeto, ela explora dinâmicas de gênero para certas estratégias, como o caso de homens que tendem a dar call com um range mais amplo e ser mais agressivo no pós-flop, por exemplo. Apesar do sexismo, as experiências ao longo dos anos são relatadas na obra. A americana aprofunda, com seu projeto fílmico, a posição de gênero, o engajamento das jogadoras, o estilo de vida e, acima de tudo, o desafio que as move. Mohr realizou entrevistas, capturou vídeos pessoais das redes sociais das jogadoras, enfrentou torneios ao vivo com algumas delas e utilizou documentos históricos para contar como as mulheres ainda desafiam o ambiente predominantemente masculino. Confira trechos da entrevista exclusiva concedida ao Pocket Poker:

Sandra Background e o filme Poker Queens Movie Trailer
Sandra Background e o filme Poker Queens

Embora sejamos poucas no poker, acredito que a demanda por um produto como o documentário Poker Queens comunica uma representatividade do cenário feminino global do poker. Como foi a recepção das jogadoras em relação à produção?

A maioria das mulheres que procuramos para entrevistas ficou muito animada, elas queriam fazer parte do filme. Jennifer Harman, Liv Boeree, Kristen Bicknell, Loni Harwood, Kelly Minkin, Esther Taylor, Linda Johnson e Kathy Liebert foram algumas das que mais se empolgaram. Elas foram tão maravilhosas, amigáveis, criativas e receptivas em fazer um filme que apoiaria as mulheres no poker. Algumas outras jogadoras, no entanto, não conversaram conosco se não fossem pagas (o que é contra as regras de um documentário), ou tinham medo de estar diante das câmeras, ou tinham um gerente de publicidade que nos proibía de usar certos nomes. Essa parte foi frustrante para nós porque o filme foi feito para homenagear as melhores mulheres do poker. Ainda assim, acabou do jeito que deveria; essa é a natureza dos documentários.

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Como você enxerga essa contribuição para a história do poker feminino? Quais foram suas principais dificuldades durante a produção do documentário? 

Havia tantas mulheres interessantes, que é difícil mencionar uma como a maior alegria ou a que represente todas. Eu realmente acredito que as gerações mais jovens de mulheres estão chegando trazendo um impacto enorme e positivo no jogo. Espero ver uma delas vencer o evento principal da WSOP em breve. A maior dificuldade foi lidar com alguns dos grandes egos, agressividade e natureza suspeita de algumas das mulheres que não foram incluídas no filme. Também foi difícil viver no Rio e em Las Vegas por um mês, durante a WSOP. Isso foi intenso em muitos níveis!

Durante as filmagens, quais características dessas mulheres você apontaria como convergentes no poker?

As mulheres com quem conversamos pareciam ter tido uma infância feliz, foram incentivadas pelos pais a fazer o que quisessem, sem lhes impor limitações por serem meninas, e adoravam competições. Suas famílias sempre foram realmente solidárias com elas. Kristen Bicknell costumava pilotar carros na pista de corrida de seu pai, Esther Taylor foi adotada por uma família amorosa após ser encontrada em uma estação de trem quando criança, e Kelly Minkin é advogada e também fantástica jogadora de poker. Acho que o filme também mostra como a validação e o amor de casa são fatores importantes e fundamentais.

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Qual a sua opinião sobre o mercado consumidor de poker e as mulheres?

Há tão poucas mulheres no poker, no momento. Só posso imaginar que mulheres maravilhosas e ativistas como Angelica Hael (ela está no filme) do WPT, que estão fazendo tanto para ajudar a atrair mais mulheres ao poker, colherão as recompensas do mercado assim que nosso gênero começar a preencher salas de poker. E lembre-se sempre de que, no poker, como na vida, “o objetivo do jogo é se divertir!”. Obrigada, Flora, e tudo de bom!

Para conferir o projeto Black Widow clique aqui. E para conferir o trailer de Poker Queens acesse aqui.

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