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PokerNotes QG Akkari Team - Marcus Costa
PokerNotes QG Akkari Team - Marcus Costa

Por Marcus Costa

Cada vez mais, os jogadores de poker têm se dedicado à evolução técnica. Novos programas como solvers e trackers cada vez mais sofisticados vêm revolucionando o jogo, aumentando o nível dos jogadores e fazendo com que o field fique cada vez mais duro.

Todos sabem que o poker é uma carreira que não podemos falar em estabilidade a curto prazo ou expectativa de retorno mensal. Quando falamos de lucratividade, sempre analisamos os jogadores a longo prazo, pois a variância pode ser bem grande e, quanto mais difíceis ficam os fields, mais isso será realidade constante para os profissionais.

Infelizmente a parte mental não é levada tão a sério quanto deveria e é negligenciada por boa parte dos jogadores. Imaginem o quão importante é a parte mental em uma profissão tão instável. Já vi muitos jogadores que são ótimos tecnicamente, são um dos melhores do seu ABI (média de inscrição por torneio) e ficam 1 ano down ou breakeven. Imaginem como a cabeça dessa pessoa fica se ela não tiver um acompanhamento profissional… Acrescente nessa equação os problemas emocionais do dia a dia.

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Se você trabalha em um banco e está com problemas pessoais em casa e, por consequência, está fazendo um trabalho “meia boca”, mas cumprindo sua função, você vai receber seu salário normalmente. Se isso ocorre no poker, seu ROI (retorno sobre investimento) vai despencar. É incrível como os jogadores de forma geral não fazem qualquer tipo de preparo mental, mesmo com o cérebro sendo sua ferramenta de trabalho número um.

Segundo o site “market analysis”, apenas 2% da população vai ao psicólogo e a maioria dos pacientes são mulheres. Podemos afirmar então que em um meio dominado por homens como é o poker, poucos profissionais devem usufruir dos benefícios dessa prática, por exemplo.

Não é segredo para ninguém que muito pelo machismo institucionalizado na nossa sociedade, os homens são incentivados a se reprimir emocionalmente e isso acarreta nessa não procura de orientação profissional. Não é a toa que as taxas de suicídios entre homens são bem maiores que entre as mulheres.

Conversei com a psicanalista Ligia Torres e fiz algumas perguntas sobre a importância do trabalho mental para qualquer profissional e em especial ao profissional de poker.

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Marcus: Atualmente temos uma taxa muito baixa de homens que fazem análise, porque você acha que isso ocorre?

Ligia: Acredito que isso se deva ao fato de que os homens não são incentivados desde cedo a falarem sobre as suas questões emocionais. Os estereótipos que a sociedade os impõe são sempre no sentido de serem fortes e inabaláveis e isso não é nada positivo para a saúde psíquica.

Marcus: Um trabalho psicológico pode acrescentar no dia a dia das pessoas?

Ligia: Pode acrescentar no sentido de diminuir os bloqueios que as impedem de caminhar em direção aos seus objetivos, contribuindo assim para um aumento significativo da capacidade e qualidade de vida de um indivíduo.

Marcus: Poker é um meio que tem uma certa instabilidade para seus profissionais e, por outro lado, estar focado e concentrado no trabalho é fundamental para um bom dia de grind. Quanto que essa negligência na parte mental pode afetar o dia a dia dessas pessoas?

Ligia: Em um trabalho como o poker em que a performance é medida diariamente, é importante uma ajuda psicológica para que a pessoa consiga lidar com as frustrações que serão inevitáveis no dia a dia de quem quer construir uma carreira sólida. Existem inclusive psicólogos esportivos que atuam somente com esse tipo de demanda.

Marcus: Atualmente, o conselho de psicologia liberou o atendimento online, você acha que essa medida é boa para a sociedade?

Ligia: É positiva pois muitas pessoas tem certa dificuldade com horário e locomoção e, nesse caso, podem encontrar no atendimento online certa flexibilidade. Além disso, podem encontrar profissionais mais aptos para lidar com sua demanda específica. No entanto é necessário ficar atento aos profissionais credenciados no site do conselho de psicologia, pois não são todos que são aptos para esse tipo de atendimento.

Em um meio que cada vez mais os jogadores estão procurando diferenciais extra poker para aumentar seu ROI (retorno sobre investimento), com certeza a terapia tem que ser vista com bons olhos pelos jogadores, tentando deixar de lado os preconceitos que perseguem essa categoria até hoje. Psicólogo não é para pessoas loucas, é para pessoas saudáveis.

Marcus Costa é jogador profissional de poker desde agosto de 2014. Palestrante regular do MasterMinds desde 2017. Marcus também fez parte dos instrutores de apoio do Curso Mensal de André Akkari por 3 anos e teve participação nos cursos da Inagame. Desde setembro de 2016 é  um dos instrutores da turma de base do Akkari Team.

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