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Samba Poker Team:
Samba Poker Team: "Pilares para liberdade: reflexões para quem se questiona até onde ir com o poker", por Fabio Maritan

Por Fabio “F1oba” Maritan, do Samba Poker Team

Antes de tudo, jogar poker é para quem quiser. O que varia é o grau de comprometimento. E tudo bem você e seu grau. Do polo meramente lúdico ao profissional, a prática libera endorfina do mesmo jeito. Não quero falar sobre regras. Quero compartilhar reflexões e experiências que podem ser de valor.

Recentemente, uma pandemia colocou mais pessoas para dentro de casa. Nesse movimento e pelos mais diversos motivos, o engajamento online da atividade subiu e vejo mais pessoas refletindo sobre a própria relação com o jogo. Hoje falo, a partir do prisma profissional, sobre pilares comportamentais que observo em jogadores estabelecidos na profissão. Um papo sobre responsabilidade, autocrítica, disciplina e confiança.

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A vida do jogador se torna mais fluida quando ele entende, qualifica e se responsabiliza totalmente por suas decisões. Esse é o pedaço controlável, o resto você usa para aprender e vai deixando para trás, num ciclo evolutivo infinito. Definitivamente, não há espaço para culpar o baralho, a qualidade da jogada alheia, o dealer, o site ou qualquer conspiração que seja pelo resultado das suas decisões. Energia demais para uma cabeça que precisa continuar decidindo. Ao longo das sessões, frustrações e erros irão ocorrer. Para todos. Se há uma abordagem diferente para lidar com isso, entendendo como parte natural de um processo maior, já temos um grande passo. A partir daí, assim como muita coisa na vida, basta repetir. Muitas vezes é simplesmente impossível não sentir uma frustração, porém a repetição dessa mudança de postura e consequente menor tempo de desgaste emocional, vão esfriar cada vez mais seu sangue.

Falando sobre autocrítica, penso que o jogador tem de ser um questionador implacável, reconhecendo e aprendendo indefinidamente com os erros e acertos das suas ações. Como já mencionei, existem graus de comprometimento diferentes com a atividade. Os mais comprometidos questionam mais a fundo. Buscam entender os porquês de tudo. Comparam as opções, destrincham as situações, levantam hipóteses e por aí vaí. Falo isso, porque nesse ponto é onde o poker profissional se torna “chato” para muitos. Vejo vários dizendo que “jogaram o fino” e não indo além. Repetindo de forma rasa algo que aprendeu e nunca refletiram consigo mesmo sobre. E se aquilo não for mais o “fino”? Seu machado está realmente afiado? A responsabilidade é sua. Trabalhando na formação de jogadores percebo que muitos ficam nessa barreira. Quando percebem que vai doer e não será, ao menos no início, apenas sobre sentar, clicar os botões e ser recompensado.

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Um dos pontos mais atraentes dos que procuram o poker profissional é a maior flexibilidade de horários e consequente liberdade para suas escolhas. Mas, o que é que eu vou fazer
com essa tal liberdade? Vou falar sobre disciplina, mas não exatamente sobre dedicar muitas horas de forma regrada. Horas dedicadas dão experiência e têm seu valor. Indo além, é natural para quem gosta de poker, simplesmente jogar bastante. Penso que um jogador dedicando menos horas em uma boa e qualificada direção evolui mais rápido que o simples cumpridor de horas. Questão de foco. Além do aspecto da dedicação, quero falar sobre dois tipos de disciplina que julgo importantes: a técnica e a financeira. Falo de torneios, minha área de atuação. A primeira é sobre entender quais limites você bate e ser disciplinado onde pisar, quando descer ou subir. Aspecto que o Samba Team, por exemplo, é perito. Importante demais você simplesmente selecionar bem onde atuar, não se expondo ao risco de ruína. A disciplina financeira é entender o quão variável é a renda de um jogador profissional de torneios. As pessoas me procuram fazendo projeções do quanto fariam por mês e coisas do tipo. Isso pode ser estimado, mas não deixa de ser bem variável ao longo do tempo. As situações das pessoas são totalmente particulares mas, sendo genérico, o que eu vejo como verdade é que o jogador profissional tem obrigação de se organizar financeiramente e construir um caminho de cada vez mais liberdade sob qualquer aspecto. Não vou entrar no mérito do que fazer, apenas não fique sem fazer nada nesse sentido. Refém. Uma boa dica, que independe de um grande resultado (hit) é o hábito de se pagar primeiro e sempre.

Por último, penso que vai mais longe quem vai confiante. Não apenas a confiança para se tomar boas decisões no jogo. Essa naturalmente cresce no processo evolutivo e você vai se divertir bem com ela. Falo da confiança em “peitar” a decisão por ser profissional. Confiança para enxergar um horizonte cheio de obstáculos, se organizar e continuar. Contrariar o senso comum inúmeras vezes e não se importar. Dialogar e reportar apenas a quem, de fato, interessa. Renunciar. Continuar. Um caminho para a liberdade.

Um abraço e até a próxima.

Fabio Maritan Pereira (F1oba) é jogador profissional pelo Samba Team e instrutor no Samba Roots.

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