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O BSOP chegou a Salvador no ano de 2008. Até então circunscrito às regiões Sul e Sudeste, a série desembarcava pela primeira vez na região nordeste em Maio daquele ano. Natal, Recife, Fortaleza e a também baiana Costa do Sauípe seriam as outras paradas da Brazilian Series of Poker naquela região. A etapa de 10 anos atrás, como veremos, foi feita de som e fúria, pelo menos para este que vos escreve.

Me lembro bem daquela etapa visto que me programei para jogar um BSOP depois de ter ficado de fora de todas as etapas de 2007. Tinha muita vontade de ir para o pano e voltar á capital baiana, onde havia passado o carnaval de 98. Fã de Tom Zé, Caetano, Gil, Jorge Amado, Bobô e Waly Salomão, sempre tive um grande respeito pela Bahia.

Para chegar lá não foi fácil. Sim, há uma grande oferta de vôos regulares saindo de São Paulo para a chamada Roma Negra, mas eu, particularmente, não sairia da Terra da Garoa para lá. Eu me encontrava arrasado, devastado, e demolido em Buenos Aires. Quase abortei a missão.

O sorteio das oitavas-de-final da Copa Libertadores de 2008 colocou River e San Lorenzo na disputa de uma vaga para a fase seguinte. Para quem não sabe, o escriba é torcedor do Club Atletico River Plate, que naquela época tinha Ariel Ortega, Falcao Garcia, Alexis Sánchez, Loco Abreu e era dirigido por Diego Simeone. O San Lorenzo tinha D’Alessandro e, o até então técnico mais vitorioso da história do Millonario, Ramón Díaz.

Na ida San Lorenzo 2-1, gol mandrake de pênalti no final do jogo e vantagem do Ciclón. Para a volta, porquinho quebrado, parcelamento conseguido e bora para o Monumental. River faz 2-0 sem sustos. Fica com dois jogadores e mais e…CEDE O EMPATE! Caminhada de 8km do bairro de Núñez até a Recoleta, porre homérico, ressaca e vôo para São Paulo e de lá para Salvador.

“Sorria você está na Bahia!” dizia um cartaz, ou uma pessoa, não lembro bem. Eram poucos motivos para sorrir, mas a energia baiana contagia e, afinal de contas, sabendo que toda tristeza futebolística é para sempre, o melhor é aceitar o ferro, sorrir e ver o que que é a Bahia tinha para mim.

no centro Marcos Rebibout, o Marquito, campeão do BSOP Salvador 2008

O BSOP Salvador foi jogado no terraço do Blue Tree, um hotel cravado no icônico bairro do Rio Vermelho. Antes de ir para o jogo, parada no restaurante do amigo da vida inteira Hélio Júnior, um cearense que a Bahia importou. Também estavam Guga Azevedo, o nosso anfitrião, Leandro Brasa, Vicente Chenaud. Turma boa demais.

Depois de encher o pandulho, ficha no pano. Não lembro muito bem de quem eram os oponentes, apenas do Herman Biaggi, de Brasília. Eu e ele mostramos muita agressividade, mas só ele passou com uma boa quantidade de fichas. Passei para o dia 2 com o bom e velho stack de 10 big blinds. O field total foi de 93 jogadores.

No dia seguinte, depois de dar aquele rolê por Salvador, me sentei para jogar no all-in mode e tomei uma bad beat do dealer. Com K-K em MP, vejo o gaúcho Félix Japa colocar tudo na tela de utg, vou all-in por cima (incrivelmente ele tinha menos fichas que eu) e quando vamos mostrar as cartas, eu vejo que não tenho nada para apresentar. Ele mostrou um A-J. Pela regra da época eu perdi 1 big blind, mas não o stack inteiro, como acredito que seria hoje.

Não tardei em ser eliminado e fui para o quarto com aquele misto de ressaca e queimação. Descansei e passei a acompanhar o que acontecia lá em cima de maneira inusitada. Sem transmissão ou cobertura mão a mão, e com uma baita preguiça de ir até o terraço, notei que a cada all-in, a galera gritava bastante. Não só dava para ouvir os “segura, baralhinho”, que era a gíria local, como os nomes dos jogadores gritados. Foi interessante.

Quando a turma gritou “Marquito, Marquito” e depois explodiu em alegria, descobri que o simpático carioca Marcos Rebibout, havia sido o campeão. Parceiro de viagens para Punta del Este e sempre sorridente, Marquito cravou, levou troféu e R$23.000, nada mal para quem investiu R$ 1.000 do buy-in.

Naquela viagem conheci Caio Pimenta, Guilherme Chenaud, Cláudio Baptista, Joel, gente muito bacana e que escreveu boas histórias no poker nacional. Esperamos que o BSOP Salvador em 2019 nos traga esses grandes momentos novamente.