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Diego Menescal falou sobre sua trajetória no meio do poker
Diego Menescal falou sobre sua trajetória no meio do poker
Por Diego Menescal

Sempre que conheço uma pessoa nova e conto que eu sou jogador profissional de poker a primeira coisa que falam é: “Quê!?” Depois de responder novamente de maneira mais clara e pausada, sempre vem um batalhão de dúvidas e curiosidades.

“Mas é legal?”, “Você é viciado?”, “Mas dá pra viver disso?”, “E quando você perde?”, “Como funciona?”, entre outras milhões de perguntas que todos nós que escolhemos o poker como profissão temos que ouvir e responder exaustivamente. Já estou acostumado e confesso que levo até como missão disseminar um pouco mais de informação sobre como funciona nosso meio para, quem sabe, diminuir o preconceito por esse jogo que me deu tudo que tenho.

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Entre as perguntas que eu mais ouço uma das que eu mais gosto de responder é: “E como você acabou se tornando jogador de poker?”. Essa pergunta por si só já rende um bom tempo de conversa e me permite contar muito da minha rotina e de todas as coisas que me levaram até aqui. Sendo assim, quando me convidaram pra escrever a coluna pro SuperPoker, pensei em contar a minha trajetória, como virei jogador de poker e as mudanças que fiz na minha vida para tentar deixar de ser “só mais um regzinho” para me tornar instrutor do Pagodinho, divisão micro stakes do Samba Poker Team.

Pois bem, comecemos pelo começo. Comecei a jogar poker com os amigos no colégio. Não demorou muito para começar a jogar online e, mesmo com pouco estudo, começar a ganhar dinheiro. Fazia faculdade de Economia na UFRJ (entre idas e vindas), tinha minha banda e dava aulas particulares de Matemática e Física. Também trabalhei no senso do IBGE, de vendedor em loja, fazendo pesquisa em porta de escola… O que tivesse que fazer eu fazia.

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Nunca gostei muito da faculdade que tinha escolhido. Mas ao mesmo tempo não achava outra que me interessasse. Amava dar aula e pensava se valia a pena largar a faculdade de Economia para virar professor de fato. Em meio a toda essa confusão na qual não me achava, minha ex namorada me disse um dia: “acho que você deveria virar profissional de poker”. Eu disse que não tinha nada a ver, que não pensava em virar profissional, e de fato na época via somente como um hobby lucrativo. Achava minha rotina muito pouco saudável quando jogava, saia da cama direto pro computador, nem abria a cortina.. Trocava a noite pelo dia, muitas vezes sequer via o sol ou tirava o pijama. Não queria isso pra minha vida.

Eis que em agosto de 2015, a faculdade entrou em greve e surgiu a oportunidade de entrar em um time de poker. Vi em uma comunidade de poker carioca que eu fazia parte no Facebook que o Copo de Neve tava abrindo inscrições. Dois amigos que jogavam me indicaram pra entrar, falaram que valia a pena e eu topei. Lembro que no meu primeiro dia eu fiquei atordoado em saber quanto mais de poker existia que eu nao fazia ideia. Eu achava que era bom, que sabia o que tava fazendo, enquanto na época eu só era levemente melhor que a média, que era muito ruim. E nas minhas dowswings culpava o baralho, as bads, os flips e tudo, menos a minha falta de conhecimento até então.

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Pois bem, segui no time e fui aprendendo bastante, ganhando dinheiro, mas nunca me dediquei inteiramente o tanto quanto podia. Tinha criado uma rotina saudável que envolvia exercícios diários, mas de resto aproveitava da flexibilidade que o poker permitia e encaixava o poker na minha vida, e não o contrário. Perdia vários domingos de grind pelos motivos mais bestas possíveis, estudava pouquíssimo e ainda levava a faculdade em paralelo. De 2016 pra 2017 veio a fusão com o Samba Poker Team e com isso a decisão, em conjunto com a minha ex, de realmente me dedicar a essa carreira em detrimento da faculdade. Nessa época também parei de dar aulas.

Meus backers sempre falavam que eu era bom, que quando eu queria eu imprimia, mas não me dedicava o suficiente. Eu sempre achei que eles falavam isso como uma forma de motivação, nunca levei muito a sério. Continuava encaixando o poker na minha vida pessoal e jogando quando era conveniente. Até que em 2018 cheguei um dia antes do encontro do Samba pra jogar um futebol com a galera. Pós pelada teve churrasco, cerveja e no fim acabei indo pra casa do Kelvin Kerber continuar tomando umas e trocando ideia.. Durante mais de uma hora, o Kelvin me deu exemplos práticos do quanto eles me achavam bom e o quanto eu era um desperdício de talento. E foi aí que percebi que a conversa nunca foi pra me motivar, eu corri risco de ser kickado no meio do ano e estava perdendo tempo e desperdiçando muitas oportunidades.

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Fui dormir envergonhado, mas com uma decisão tomada: me dedicaria integralmente ao poker e consolidaria a expectativa que meus backers tinham em mim. E coloquei como objetivo virar instrutor dentro do Samba e assim juntar as duas coisas que amava: dar aula e jogar poker. O ano de 2019 foi de consolidação, fiz quase o mesmo número de jogos do que em 2017 e 2018 somados e comecei a ser reconhecido como um reg no cenário nacional. Ano passado, com a pandemia, veio a época que eu mais estudei na vida. E também a época que tive a minha pior downswing.

Meu primeiro semestre só não foi desastroso pelos pools e swaps com parceiros de time, mas nada parecia dar certo. Eu me sentia injustiçado. Enquanto em outras épocas era só sentar e ganhar mesmo deixando o poker em segundo plano, eu estava me dedicando como nunca, na minha melhor fase técnica da vida e os resultados teimavam em não vir. Mas começaram a vir no segundo semestre de 2020 e não pararam mais. E no final do ano, a cereja do bolo: o Samba iria criar um time micro e fui convidado para ser instrutor. Finalmente o objetivo que eu tracei em Outubro de 2018 estava se concretizando.

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Com essa nova etapa, novos desafios. Abrir mão de grind para preparar uma aula, ter que me programar melhor na minha rotina para não deixar de lado minhas obrigações com o time. Responder mãos, resolver problemas, fazer entrevistas.. Creio que meu diferencial na época de professor particular era entender os alunos e descobrir qual era o melhor jeito de estimular cada um deles a aprender.

E me vi de repente tendo que conhecer quase que ao mesmo tempo cerca de 60 jogadores e ter que entender a melhor maneira de lidar com cada um, tentar conhece-los como pessoas e como jogadores para assim poder extrair o máximo deles. Pode parecer cansativo e desgastante!? E é! Mas nunca estive tão realizado na minha carreira.

Se para mim como jogador de poker o WCOOP me enche os olhos, como instrutor de time micro o MicroMillions é meu WSOP. Tentamos fazer uma programação boa para essa maratona que eles tiveram e os resultados apareceram. E tenho certeza que é só o começo. Anseio para quando verei meus cavalos indo pros Sambinhas. Para quando estarei com eles no encontro do time principal do Samba. Sei que isso é uma questão de tempo e sei que vou me emocionar tomando uma cerveja com algum ex aluno no encontro.

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Por enquanto ainda estamos nesse processo de conhecer melhor nossos atletas, mas a cada feedback positivo, cada demonstração de evolução de cada um deles me reforça a certeza de que é isso que que eu sempre quis pra minha vida e pra minha carreira. Estou onde eu sempre quis estar, mesmo não sabendo disso em 90% da minha caminhada até aqui.

Diego Menescal é jogador profissional do Samba Team e instrutor do Pagodinho

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