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"Minha história com mind games", por Larissa Moretti

Por Larissa Moretti

Comecei a jogar xadrez com 6 anos de idade, esporte qual eu vivi intensamente até os 19 anos. Em 13 anos, eu me apaixonei pela ideia de viver esse jogo e ser minha profissão.

Porém, infelizmente, no Brasil o investimento financeiro no xadrez é muito baixo e isso faz com que o caminho pra que você faça desse esporte sua fonte de renda, seja extremamente árduo e em certo ponto desestimulante, principalmente no cenário feminino.

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Desisti da ideia. Deixei o meu, até então, esporte mental favorito como hobby, fui fazer faculdade, me formei em direito, advoguei um tempo e parei minha vida pra estudar pra concursos.

Nesse meio tempo muitos amigos que caminhavam comigo na vida de enxadrista na adolescência já tinham migrado pro poker, inclusive grandes nomes do cenário do poker nacional atual. Eu acompanhava, achava divertido, jogava recreativamente, mas a ideia de assumir um caminho fora do convencional, ainda mais depois de formada, parecia muito distante.

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O último concurso que eu estudei antes de tentar minha inscrição pro Samba foi o que eu dei 110% de mim e no final, antes mesmo de saber o resultado, eu vi que estava fazendo 90% pela renda e 10% por ser algo que eu me veria fazendo o resto da vida.

Putz, que odds horrível pra gamblear com a carreira profissional. Conversei com a minha família e alguns amigos, principalmente com a Criz “Crizh” Habitzreiter que já fazia parte do time, jogava xadrez comigo e era minha companheira no samba rock até esse ano, conversei com Kovalski na época pra saber como fazer minha inscrição e fiz.

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Eu sabia que as chances de entrar eram baixas, fui super sincera na minha inscrição sobre meu nível de poker da época, apontei meus prós e usei o xadrez, meu jogo de lógica favorito, a meu favor. Deu certo. Entrei pro sambinha, o Samba Rock, uma oportunidade que mudou minha vida.

Hoje, faz um ano que estou nesse desafio muito intenso que é viver o poker. Tenho muito pra crescer ainda, mas se eu olho a jornada que já se passou, parece que eu mergulhei de cabeça nisso há muito mais tempo.

O poker me reaproximou de pessoas incríveis que já tinham passado pela minha vida, e me fez conhecer outras maravilhosas, amigos que eu espero levar pra vida. Acho importante destacar o quão inusitado é, por assim dizer, ser mulher e fazer parte desse mundo de mind games. Seja no xadrez ou no poker a mulher é uma minoria destoante.

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Eu sou a única mulher no meu Sambinha e torço e trabalho muito pra que a gente ocupe esses espaços gradualmente. Com certeza, uma parte muito grande das mulheres com que eu conheço e convivo e convivi ao longo da minha vida, as mais geniais estavam entre enxadristas e jogadoras de poker. Você conseguir fazer parte de um meio ainda tão masculino e cheio de preconceitos te faz muito forte. Sou muito grata pelo rumo que a vida tomou e por hoje poder viver de algo que é meu verdadeiro amor: o poker.

Confira o último episódio do Pokercast: