COMPARTILHAR
Jogador desconhecido

Nos resultados online de 2019, entre nomes de jogadores consagrados, que conquistam boas premiações há muitos anos, começou a surgir com frequência o curioso nick “Cachaçapura”. Enfrentando alguns dos fields mais complicados do online, o até então desconhecido jogador acumulou diversos resultados.

Só na última segunda-feira, por exemplo, foram duas mesas finais, no $1.050 Monday 6-Max e no Hot $109, com mais de US$ 16 mil em prêmios no total. Antes disso, o jogador já havia conquistado o título de três torneios do High Roller Club do PokerStars no período de apenas uma semana. Pelos títulos no $1.050 Monday 6-Max, $530 Daily Supersonic e $1.050 Daily Cooldown, “cachaçapura” levou mais de US$ 43 mil.

VEJA MAIS: Leocir Carneiro conquista a terceira tríplice coroa online da carreira

Mesmo assim, o maior prêmio do jogador continua sendo pelo vice no Evento #47-High da Winter Series, que rendeu US$ 36.443. No Evento 13-Medium, ele também ficou em segundo, levando mais US$ 23.848. Com mais de US$ 600 mil em premiações online, segundo o PocketFives, maior parte disso conquistada nos últimos meses e nos torneios mais caros do PokerStars, “cachaçapura” chamou a atenção da comunidade.

No Twitter, o profissional Marco Aurélio “Salsicha” chegou até a perguntar se alguém sabia a identidade do jogador.

Agora, o mistério acabou. A conta “cachaçapura” é de Luiz Augusto Cechinel, de 33 anos, nascido em Pato Branco (PR), mas que atualmente mora em Palmas (TO), onde é gerente geral de uma agência bancária e também trabalha como trader. Há mais de 10 anos jogando poker, foi no ano passado que ele decidiu fazer o salto para os high stakes, após anos batalhando nos limites menores e se preparando.

Luiz Augusto Cechinel
Luiz Augusto Cechinel

Pelas obrigações com o trabalho, Luiz começa sua sessão no fim da tarde, ao contrário da maioria dos profissionais, mas isso não impediu que ele tivesse o grande sucesso dos últimos meses. Em entrevista exclusiva para o SuperPoker, o recreativo falou tudo sobre sua trajetória, a boa fase recente e os planos para o futuro. Confira.

Conte um pouco sobre sua trajetória no poker
Jogo há uns 10 anos mais ou menos, desde a época que fazia faculdade. Eu jogava 5-card Draw, daí popularizou o No Limit Hold’em e eu comecei a jogar essa modalidade, há pelo menos uns oito anos. Jogo todos os dias da semana, exceto talvez no sábado tiro um dia off, mas praticamente todos os dias.

Qual sua atividade fora jogar poker?
Tenho algumas atividades, sou gerente de um banco, então tenho outras responsabilidades. Não vivo do poker, sou também trader, trabalho com bolsa de valores há alguns anos também, tem essas outras atividades que me tomam algum tempo.

Qual a origem do nick “cachaçapura”?
Foi meio na bobeira. Quando eu abri minha conta no PokerStars, há 10 anos, eu jogava Age of Empires também e meu nick era algo relacionado com bebida, gin, whiskey, sei lá, e eu tentei fazer algo parecido no poker. Não aceitavam nenhuma, até que eu cheguei na cachaça e essa foi aceita, daí ficou. Foi meio sem querer, porque fiquei sem opção mesmo.

Normalmente, é possível acompanhar os jogadores se dando bem nos níveis mais baixos e depois subindo para limites maiores. Você se destacou diretamente faturando nos torneios caros, por que essa diferença?
Eu joguei por muito tempo os buy-ins baixos e fui gradativamente subindo. Há dois ou três anos eu subi o buy-in para os médios, buy-ins de US$ 50, US$ 70, até no máximo US$ 100, e até tive alguns resultados, mas que não dão notoriedade. Cravei o Sunday Stack, que é um torneio bem difícil, de US$ 55, cheguei em mesa final de Turbo Series, peguei mesa semifinal de SCOOP, então tive alguns resultados, mas em um tempo muito espaçado. Até porque eu acho que é muito difícil ter regularidade nesses torneios de buy-ins mais baixos devido aos fields serem muito grandes.

Resolvi dar o passo para o high stakes no fim de 2018 e no período de uma semana fui duas vezes vice do Winter Series, em um torneio de US$ 215 e um de US$ 1.000, deu mais de US$ 50 mil de prize e foi aí que resolvi começar a arriscar nos high stakes, dar tiros mais altos e bater de frente com os melhores. Ali está a nata do poker online mundial, torneio de US$ 1.000, de US$ 500, para quem joga poker todo dia, é até aí onde vai, não tem mais caro do que isso.

Resolvi partir para esse field, que é pequeno, extremamente difícil, é outro jogo do que os buy-ins menores, e está dando certo. Estou conseguindo bater esses fields, lógico que aconteceu tudo muito rápido, eu cravei três do High Rollers Club do PokerStars em uma semana, o 6-Max, o SuperSonic, o Daily Cooldown, então o que eu não puxei a vida inteira, puxei em 30 dias, mais de US$ 200 mil de prize. Mas eu comecei de baixo mesmo, não fui lá, comprei US$ 10 mil e joguei torneios de US$ 1.000, foi gradativo que eu subi. A minha surpresa foi eu conseguir dar esse salto nos buy-ins e estar conseguindo bater o field, que é casca pra caramba.

Luiz Augusto Cechinel
Luiz Augusto Cechinel

Você faz coaching, estuda, como busca melhorar seu jogo?
Eu fiz em 2014 um coaching individual com o Thiago Decano, acho que seis meses antes de ele ganhar o bracelete, então foi realmente no auge dele. No ano passado, quando comecei a ter resultados um pouco melhores, até mandei email para o Decano e ele postou nas redes sociais dele. Teve até um fato curioso, que quando eu estava fazendo o coaching em um hotel em Curitiba, foi no momento do coachung que recebi a ligação do superintendente do banco me convidando para ser gerente geral de uma agência.

É engraçado porque o Decano também foi bancário e ele teve a coragem de deixar o banco, diferentemente de mim, que ainda não tive essa coragem. Fiz o coach com ele e na época foi um divisor de águas em relação ao conhecimento no poker. Óbvio que de 2014 para 2018 a dinâmica do jogo é outra, o poker muda muito, vai se transformando a cada dia. Claro que algumas coisas que aprendi na época, não aplico hoje, mas foi um divisor de águas esse coach, ele para mim é um dos melhores jogadores do Brasil. Foi o pontapé inicial, a partir dali é que comecei a jogar para valer, para ganhar dinheiro mesmo, investir mais sério no poker.

A que você credita os grandes resultados dos últimos meses?
Eu acho que a persistência é fundamental para quem quer jogar poker, é um jogo que às vezes você toma uma bad beat em uma reta final, isso nunca vai deixar de acontecer e quem vive disso tem que saber lidar muito bem. Acho que uma das principais diferenças entre um jogador que está no topo hoje e outro que está tentando chegar nos buy-ins mais altos é a parte mental, o psicológico, saber se manter frio.

No início, eu cansei de estar jogando retas de cinco, seis telas, tomar uma bad beat em uma tela e daí rolar aquele efeito dominó, você acaba desconcentrando e quando vê já não tem nenhuma tela. Então acho que persistência, foco, tranquilidade. Você precisa ter confiança no seu jogo, ninguém vai arriscar dinheiro sem ter confiança no jogo, então acho que isso na parte técnica, de saber o que está fazendo, aliado a um bom mindset, foi a grande alavanca para o que está acontecendo nos últimos meses comigo.

Tem também a regularidade, porque nesses buy-ins mais altos, se você não tiver a regularidade quebra rápido. Desde que eu dei esse passo no fim do ano, estou conseguindo manter a regularidade, chegando em várias mesas finais, então isso é essencial. Nesse nível de buy-in, são poucos brasileiros que eu vejo jogar diariamente que estão encarando esses fields. Tem gringo que você abre o lobby do PoekrStars e eles estão lá todo dia, e tem uma brazucada boa também.

Como eu sou um pouco off do mundo do poker, moro longe e tenho outras atividades, não conheço nenhum pessoalmente, mas posso nomear aqui que jogam o poker fino acho que são o Bruno Volkmann, o “great dant”, o Pabritz [Pablo Brito], que é um monstro, Rick Logrado, o Gusma [Pedro Madeira] vejo muito também. Com certeza devo ter esquecido vários, mas de quem é regular desses torneios e que está lá todo dia é essa galera aí, e agora o “cachaçapura” também (risos). Lógico que tem jogadores que estão aí há muito mais tempo, eu estou mais recente nesses buy-ins, mas é o que pude observar dos brasileiros. Saulo Sabioni também está sempre chegando nesses buy-ins, com certeza esqueci de alguém, mas é essa galera que está levando o Brasil para o ponto mais alto do pódio no PokerStars nesses buy-ins mais difíceis.

Luiz Augusto Cechinel
Luiz Augusto Cechinel

Profissionais chegaram a se questionar nas redes sociais sobre quem seria o dono do nick “cachaçapura”. O que você acha desse certo mistério em torno da sua identidade?
Eu tenho Instagram, olho as principais notícias, sigo os sites, principalmente o SuperPoker, que é a principal mídia de poker aí no Brasil, mas não estava sabendo. Fiquei sabendo disso nessa semana, por um amigo que trabalha no BSOP, ele falou que o pessoal estava se perguntando quem é o cachaçapura e tinha até uma conversa que era um profissional que estava jogando ‘undercover’ ali (risos). Achei bacana, legal porque o pessoal estar te associando com alguém muito bom que estaria usando o nick, pelos resultados e pela forma de jogar, talvez, é muito gratificante. Provavelmente agora, depois dessa entrevista, o pessoal vai ficar sabendo melhor quem é o “cachaçapura”, achei legal.

Quais seus planos para o poker no futuro próximo?
Pretendo continuar jogando como venho nos últimos anos, nesse ritmo online. Devido a minhas outras atividades, minha reta começa um pouco mais tarde, as 17h ou 18h, por aí. Vou continuar jogando, talvez me arriscar um pouco mais no circuito live, que gosto muito de jogar. Joguei umas três ou quatro etapas do BSOP já, gosto muito, acho bem legal a dinâmica, é bem diferente do online. Tenho vontade de jogar mais live, principalmente no Brasil, o BSOP aí que é nosso grande circuito.

Abra a sua conta no maior site de poker do mundo clicando aqui.

DÊ CALL NO SUPERPOKER!

Turbine seu jogo, receba conteúdos exclusivos,
análise de mãos, chamadas para aulas ao vivo e promoções gratuitas.

Concordo com os termos de uso e privacidade do SuperPoker, que declara não repassar os dados a outras empresas.