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Vitor Fernandes foi de desconhecido a streamer da FURIA em menos de um ano

Vitor Fernandes teve uma ascensão que pode ser considerada meteórica no meio do poker. Em menos de um ano fazendo lives na Twitch, o “AfterNoBelo” se tornou streamer da FURIA, maior organização de eSports da América Latina, passando a ter contato com nomes como André Akkari e Rafael Moraes, dois de seus ídolos. Outro craque exemplo de vida para o paulistano, Yuri Martins revisou um hand history de Vitor durante uma aula da RegLife e não poupou elogios à sua evolução nas mesas. No entanto, a história de Vitor está longe de ser feita apenas de alegrias e vitórias. Mesmo com apenas 24 anos, o hoje jogador profissional e streamer já passou por diversos altos e baixos, tanto em sua vida quanto na relação com o poker e com os estudos.

A relação de Vitor com a faculdade contou com idas e vindas, estando hoje sua matrícula trancada na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis. “Voltei a morar com a família em São Paulo, e não pretendo voltar a fazer faculdade”, revelou o jogador em entrevista ao SuperPoker. “Porque hoje cheguei em um estágio que, mesmo que dê tudo errado e eu precise sair de casa, eu já tenho minha reserva suficiente para sobreviver pelo menos um ano, e com esse dinheiro eu conseguiria entrar em um time e seguir a vida.” Porém, para conhecer como ele chegou até aqui, é preciso saber mais sobre uma infância e juventude regadas a competitividade, desconfiança da família sobre o jogo e muitas dúvidas, mas uma certeza: “quero ser jogador de poker”. O primeiro contato com o jogo veio em torno de 10 anos de idade, ensinado pelo irmão, em um contexto no qual o baralho sempre foi um dos passatempos familiares.

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Os esportes foram a maior paixão desde pequeno. “Eu sempre fui muito viciado em esportes, qualquer esporte que você falar eu já joguei competitivamente”, contou. “Por exemplo, futebol, futsal, basquete, vôlei, handebol, beisebol, rugby, futebol americano, tênis, tênis de mesa… Já fiz atletismo, por mais que nunca tenha feito competitivamente, mas gosto de correr 10km, já fiz duas meias maratonas… Ciclismo é um esporte que recentemente eu estou viciado também… Tudo que você falar eu acompanhava.” Durante as Olimpíadas ou outros grandes eventos esportivos, por exemplo, Vitor praticamente parava sua vida para acompanhar as disputas. A falta de aptidão física e problemas respiratórios sérios desde a infança impediram as chances de uma carreira profissional nesse tipo de esporte, o que colocou o poker como opção. “Foi no poker que eu encontrei a forma de ‘eu posso ser bom aqui’, porque não depende do porte físico, só da sua cabeça e da sua inteligência mental, né?”

Irmão oponente e craque do FIFA

Entretanto, o lado competitivo não veio apenas do amor pelo esportes e pelo poker, mas também por uma certa pressão familiar em relação a seu irmão, seis anos mais velho. “Meus pais meio que usavam meu irmão como uma base para mim, eu cresci com a ideia de que ‘eu preciso ser melhor que o meu irmão’. É incrível, que desde os meus 4 anos, quando o meu irmão tinha 10, a gente jogava videogame juntos, eu contra ele, e minha vida era vencer ele. Não tinha nada de online na época ainda, então minha vida era vencer o meu irmão. O meu objetivo era sempre ganhar dele quando a gente brincava de heads-up aqui em casa, com feijão, com ficha de plástico, e isso fez com que crescesse o meu interesse pelo jogo, e aos poucos ver que isso pode ser levado como algo profissional.”

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Todo esse desejo de ser superior ao seu irmão levou Vitor a ter uma trajetória exemplar na escola, chegando a ficar entre os melhores do estado em uma Olimpíada de Química. Se aproveitando da qualidade de uma escola particular e de um grupo de amigos dedicados, o paulista seguiu se destacando. “É surreal, eu sempre tive muitos amigos em quem eu sempre me inspirei muito”, contou. “E eles de certa forma me incentivaram muito na escola, essa parada competitiva que eu falei que eu tinha muito em casa, eu gostava de levar para a escola. Eu competia muito com os meus amigos para ver quem tirava as maiores notas nas provas.”

Vitor Fernandes chegou a correr meia maratona em Florianópolis
Vitor Fernandes chegou a correr meia maratona em Florianópolis

Enquanto a realidade de ser jogador poker ainda era distante para um jovem longe da maioridade, “AfterNoBelo” canalizou sua competitividade para outro jogo muito popular: o FIFA. Vitor chegou a disputar competitivamente o jogo de futebol, já tendo superado nomes que seguem como os melhores até hoje. “Ao longo dos anos, cheguei a ganhar de vários campeões mundiais de FIFA”, explicou. “Tinha um árabe que o Wendell Lira já massacrou ele, já ganhei do Wendell Lira também, do Rafifa, que era do PSG. Já ganhei de um cara chamado Alan Castelo, que era muito bom também, de um cara que é streamer também, o nome dele é Gustavo Nascimento, ele joga pro time de e-sports do Aguero”.

Pressão dos pais

No momento em que começa a se dedicar mais ao poker, começa na vida de Vitor um problema que não chega a ser raro nas histórias de jogadores profissionais: a desaprovação da família. “Sempre que eu jogava poker, o meu pai ou a minha mãe entrava no quarto e falava ‘nossa, jogando esse joguinho de novo?’. Ou às vezes dava a hora de jantar, eu estava grindando, a gente jantava em família, aí eu descia com o computador e colocava na mesa de jantar, e eles olhavam de um jeito tipo ‘car*lho, o que aconteceu com o meu filho?'”. Pressionado a buscar uma carreira mais tradicional e não querendo desagradar seus pais, ele deixou o jogo de lado e foi estudar. Foram anos de cursinho e um intercâmbio para os Estados Unidos, mas Vitor ainda não se via seguindo um dos caminhos “aceitos” pela família. “Quando se tratava de vestibular, eu não era motivado a nada, porque eu não me via em nada”, contou. “Não me via sendo engenheiro, trabalhando em escritório, nada. Mas enfim, foi. No meu primeiro ano de cursinho, eu precisava sair do poker. Pro meu pai era engenharia ou medicina ou direito, eram as três faculdades que eu podia passar apenas, não podia prestar mais nenhum curso.”

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Após não passar no vestibular para a Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), Vitor decidiu não usar o ENEM para buscar vaga em uma universidade federal, e retornar para o cursinho. “Por causa daquele sangue da competitividade que eu cresci”, explicou. “Tenho um irmão que não passou na USP, e para mim, passar na USP é poder falar socialmente que eu sou f*da.” O segundo ano de cursinho trouxe o primeiro relacionamento sério da vida, e a decisão de mudar a escolha da carreira para ciência contábeis veio motivada por conversas com a ex-sogra. Escolhendo um curso com menos competição pelas vagas, ele passou a poder dedicar um pouco mais de seu tempo ao poker. “Foi quando eu comecei a perceber que eu estava me tornando um cara lucrativo. Jogava baratinho, mas eu vi o meu gráfico crescendo. Foi quando, pela primeira vez, eu me apaixonei de fato pelo jogo, em 2016”.

No próximo vestibular, veio a tão sonhada e buscada vaga na USP, e o que Vitor fez? Abriu mão da faculdade paulista para entrar em uma federal, se decidindo por Florianópolis na UFSC. O motivo da mudança de pensamento mostra que, já na época, o poker estava se tornando a prioridade. “Meu sonho maior era a USP, mas meu sonho maior de vida era jogar poker, era o que eu queria”, explicou. “Eu sabia que estudando em São Paulo e tendo a família morando perto, com pais que gostam de passar tempo com o filho, ficar controlando a vida, eu optei por não fazer USP. Eu não conseguiria jogar poker, meus pais iriam querer que eu voltasse todo fim de semana ou viriam visitar e não vai ser legal. Quis sair um pouco do raio dos meus pais e morar sozinho. Lá, consegui dar uma chance para o poker, a ideia era ‘se tudo der errado, eu volto’.”

O pior dia da vida

Em Floripa, ele começou a se dedicar mais ao grind e conquistar um lucro recorrente nos sit and gos, quando teve sua primeira oportunidade em um time de poker. “Eu até tinha um pé atrás, porque sentia que não era minha hora ainda, não queria jogar MTTs, queria jogar nos sits mesmo e eles não deixavam, o foco era só MTT. Mas é aquele negócio, fui aceito em um time grande de poker, abracei e fui.” A faculdade, estudos e grind acabaram isolando Vitor do ambiente universitário, e o que era um sonho chegou a virar pesadelo, culminando em um final de semana que o streamer define como um dos piores da sua vida. “Estava há dois meses empatado, começando a ter downswing, mas a partir do momento em que começou esse feriado [de finados] e o pessoal ou voltou para ver a família ou foi para uma festa, foi o primeiro momento em que me senti sozinho no mundo”, relembrou. “Não vou falar que tive pensamentos suicidas, mas foi muito difícil grindar, sabendo que você nao tem muito amigo, está no ferro, se esforçando há meses e não sabe o que está acontecendo, porque não premia. Você vê a galera no Instagram toda feliz e tal e você não está assim. Lembro que neste feriado simplesmente não consegui grindar, estava muito mal, fiquei de sexta a domingo sem comer, só deitado na cama”.

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Esse momento foi o estopim, e Vitor optou por sair do time e largar o poker por seis meses. Voltou a participar mais da universidade, interagir com os colegas e encontrou o mundo das empresas júnior, no qual afirma ter obtido conhecimentos que aplica até hoje em seu canal na Twitch. No entanto, o poker acabou voltando ao foco após uma noite memorável. “Foi quando depois de um barzinho, eu com mais dois amigos tivemos a ideia de ir jogar poker em um clube perto da faculdade”, explicou. “Demos o buy-in de R$ 100, jogamos e eu cravei o torneio, no primeiro dia jogando poker depois de seis meses, para mais de R$ 3 mil. Tive aquela sensação da cravada, que é a melhor sensação do mundo. Foi nesse momento que tive o insight de pensar ‘não importa o que eu faça ou quanto demore, vou ser jogador de poker’.”

Review na RegLife foi momento marcante para Vitor Fernandes
Review na RegLife foi momento marcante para Vitor Fernandes

Durante uma visita ao BSOP Floripa, Vitor conheceu jogadores que ajudaram a definir um foco: os sit and gos. O jogador tirou da cabeça a ideia de buscar o big hit e colocou no lugar o conceito da consistência e masterizar o jogo short stack. Assim, da banca de US$ 200 chegou a mais de US$ 1.000, mas foi em um torneio que veio o primeiro grande salto, ao vencer o Big $11 no PokerStars e faturar US$ 3.300. Junto com a forra, veio a decisão de trancar a faculdade e se dedicar integralmente ao poker, mas com ela veio também a desconfiança dos pais. “Meu pai falou que não me sustentaria em Florianópolis para jogar baralho, disse ‘se você não vai estudar, não vou mais mandar dinheiro’. Uma das coisas que me impediu de voltar a morar com meus pais é que eu tinha um relacionamento de 1 ano, era moleque, estava apaixonado e não queria terminar. Fui grindando para caramba, sentava todo dia pensando em sobreviver, pagar as contas, então grindava alucinado.”

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O relacionamento acabou em outubro, deixando Vitor sem cabeça para o grind. Ao mesmo tempo, entrou em downswing nas mesas e tomou a decisão de voltar para a faculdade e tirar mais um tempo off-poker. Foi então que veio a pandemia e, da crise, uma oportunidade para grindar pesado em um momento de estouro no poker online. “Meus pais perguntaram se não queria voltar para São Paulo, mas eu sabia que isso seria ruim, porque eu não conseguiria grindar em casa com meus pais”, contou. “Eles iam ficar falando ‘está toda hora nesse jogo, toda hora no computador’, não iam entender, então falei para eles que ficaria em Floripa, que estava tendo um boom no poker online. Falei ‘vou aproveitar esse momento para fazer uma graninha extra, então não quero voltar para não dificultar a relação, nós vamos brigar desnecessariamente’.”

O início na Twitch

Ao mesmo tempo, ele teve também a ideia de transmitir na Twitch, inspirada por conhecer Léo Jokura, brasileiro que fazia lives na plataforma. “Mesmo em um canal pequeno, um cara desconhecido, jogando micro, no fundo eu sabia que era o que queria fazer da vida. Pensei ‘vou começar devagar, mas sei que dá para crescer e fazer disso uma parada mais séria para o futuro’. Eu já tinha um pouco de visão, não vou ser hipócrita de falar que foi uma surpresa meu canal crescer, eu já tinha essa visão um pouco empresarial. Mas ainda assim me surpreendi como o canal foi crescendo, e fiquei surpreso com o grau de engajamento da galera.”

Vitor Fernandes largou KK pré-flop
Vitor Fernandes se inspirou em Léo Jokura para começar as lives

Mais do que começar a fazer um nome na comunidade, a entrada na plataforma de streaming também teve a família como um grande motivador. Vitor percebeu que transmitindo o jogo, falando sobre o poker e mostrando o dia-a-dia de um jogador, poderia provar para seus pais que o esporte da mente estava longe de ser um vício e um jogo de azar. Nessa trajetória, inclusive, passou até por um episódio curioso com uma psicológa. “Meu pai já contratou psicológa para fazer uma sessão para eu tratar o vício no jogo, e o engraçado é que eu fui nessa consulta, expliquei para ela o que é o poker, mostrei os profissionais que existem e tudo mais. A moral da consulta é que a psicóloga falou que de fato eu não tenho esse vício”, contou. “Sou bem controlado quanto a isso, mostrei pra ela minhas planilhas de controle, e  ela disse que quem precisava fazer terapia era meu pai, para tratar o trauma dele com jogos de baralho, por questões de infância do meu avô.”

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O plano de usar a Twitch para deixar de ser “a ovelha negra da família”, como se definiu, deu certo e, por mais que ainda não entendam exatamente a natureza do jogo, os pais do streamer já aceitam a nova profissão do filho. Por outro lado, enquanto os familiares acompanham as lives, Vitor já deixou escapar um comentário ou outro que não seriam exatamente apropriados para seus pais, o que ele leva com muito bom humor. “Por mais que algumas noites eles não comentassem no chat, eu sabia que estavam assistindo o filho jogar. Teve várias noites que acabei falando merd* na internet e no dia seguinte minha mãe ligava perguntando ‘que história é essa?’ (risos). Já me abri para caramba na Twitch sobre esse lado pessoal, até sobre questões como drogas e tudo mais, e meu pais estavam sempre assistindo ali (risos).” A situação mudou tanto que, em julho, ele decidiu retornar para São Paulo, na casa dos pais, e transformou o antigo quarto de seu irmão, hoje casado, em um escritório para realizar as lives.

Entrada na FURIA

A dedicação à Twitch levou o jogador a dar o próximo passo na carreira, e um dos grandes, ao passar a fazer parte do time de streamers de poker da FURIA, que conta também com Rafael Moraes, Lali Tournier e Dani Feitosa. O streamer realizou alguns trabalhos em parceria com Marcos Sketch, um dos sócios do 4bet Team, e deu seu máximo sabendo que dali poderia surgir alguma outra oportunidade. “Eu passava tudo para ele detalhadamente, e ao mesmo tempo eu sou um streamer que cada vez mais quero produzir conteúdos para mostrar a realidade de jogar poker”, contou Vitor. “Com isso, surgiu a iniciativa da FURIA com o PokerStars de ter streamers de poker e isso atraiu os olhos do Rafa [Moraes].” Apesar de ter sido avisado por Sketch que Moraes entraria em contato, Vitor conta que “surtou” ao receber a mensagem do ídolo no Whatsapp chamando para uma conversa.

Dani Feitosa e Vitor Fernandes são os novos streamers da FURIA e PokerStars
Dani Feitosa e Vitor Fernandes se tornaram os novos streamers da FURIA

Após reunião com o craque, o streamer passou a representar a organização da pantera. “Pensar que eu estava voltando a jogar poker, torneio de até US$ 2 na live, ninguém me conhecia, e acreditar que menos de um ano depois eu estava sendo convidado para representar a FURIA, foi surreal”, lembrou com alegria. No entanto, a maior exposição e novas obrigações trouxeram também um grau maior de ansiedade, que Vitor vem tratando com o apoio de um psicólogo. “Por mais que o Rafa fale ‘se a gente escolheu você e a Dani é porque vocês têm nosso perfil e são bons’, eu tenho até hoje um pouco isso de precisar me provar, porque me trouxe uma certa visibilidade. Estou aprendendo e vendo que isso [ansiedade] é super normal. Exposição, de modo geral, gera ansiedade, porque a partir do momento em que você se expõe, você quer a resposta da sociedade quanto à sua exposição, e estou aprendendo a lidar. Tenho uma agência me ajudando a cuidar do Instagram, da minha imagem e postagem, e também comecei um tratamento psicológico para aprender a lidar com essa ansiedade e tornar isso algo que não prejudique minha vida.”

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Desde então, Vitor vem crescendo em destaque na Twitch, e foi visto por milhares no SuperPoker em um clipe que já está marcado como um dos melhores do ano. Segurando o que parecia o nuts em um heads-up, ele fez até piada com o oponente, mas tomou uma surpresa daquelas no showdown. A postura descontraída do jogador no vídeo não é por acaso. “Eu admiro streamers que estão ali de bem com a vida, fazem o pessoal dar risada, mas eu não conseguia ser esse cara”, disse. “Nunca fui muito cômico, sempre fui mais do lado competitivo. O surgimento da FURIA me colocou em xeque no sentido de ser um streamer melhor, que interage mais com o público, e comecei a me inspirar nessa parte cômica. Aos poucos, estou me soltando, mesmo com mais de um ano de live acho que ainda estou me soltando em frente às câmeras.”

Personagem na live

Para quem não sabe, durante a mão Vitor estava encarnando um personagem que criou para sua transmissão, e através do qual consegue interagir de forma mais engraçada e assumir uma nova postura. “É o “Belão da Quebrada”, que é quando eu jogo de óculos escuros”, explicou. “Você pode resgatar isso na loja do chat. Eu sempre fui muito de boa e nunca fui de ofender, xingar, mas nesse personagem eu viro esse cara que solta falinha, que brinca na mesa, fica zuando a galera no chat. Eu deixo bem claro na live que é um personagem. O brasileiro gosta disso, de dar risada, da falinha, e como gera engajamento, a galera pede. Muita gente entra e acha que tiltei, porque não aprendeu ainda, e quando teve esse clipe eu estava no personagem, aconteceu. Não sei se vai acontecer uma jogada parecida comigo pelo resto da minha vida. Ainda por cima era a live de comemoração de 1 ano da minha primeira transmissão.”

Vitor Fernandes ficou sem graça quando viu o adversário o superar
Vitor Fernandes encarnando o “Belão da Quebrada” na Twitch

Sobre os companheiros de time, não faltaram elogios. Lali, por exemplo, foi fundamental com conselhos quando o jogador estava começando. “Ela foi a primeira que me deu uma atenção assim, que me deu conselhos como começar a streamar, me passou muita coisa. Assisti tudo que ela recomendou e realmente aprendi demais, então tenho total carinho por esse apoio que ela me deu.” Dani Feitosa também conta com a admiração de Vitor, não só pelas lives em si, mas também pelo conteúdo que produz nas redes. “Pra essas coisas de tecnologia eu não sou bom, então o canal da Dani me inspirou muito para como produzir conteúdo, configurar coisas no canal. Eu sempre gostava dos stories que ela fazia, até hoje admiro isso nela, porque não consigo fazer na qualidade que ela faz.” Quando o assunto é Rafael Moraes, fica difícil até colocar em palavras. “Nem se fala, ídolo extremo desde criança. A gente via o 4bet, o Rafa, entre os maiores do Brasil, era um sonho ter contato com esse cara e estou vivendo isso, de poder trabalhar com ele.”

E daqui pra frente?

Hoje, com uma banca suficiente para os níveis que joga e tendo formado, através da Twitch e contatos, um grupo de estudos no qual confia e admira, Vitor revelou que já recusou convites de diversos times e pretende jogar por conta por enquanto. “O próprio canal me trouxe muito contato, networking, e um pessoal bom de conhecimento, de poder estudar junto”, analisou. “O time pode passar o conhecimento e te dar uma comunidade, ajudar a criar amizades no meio do poker, mas consegui essas duas coisas pela Twitch. Tenho hoje um grupo de estudos muito fiel, amo os caras de coração, e estamos crescendo, evoluindo, subindo os buy-ins, então essa foi minha opção de não entrar para time.”

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A meta é continuar sempre melhorando como streamer e jogador, subir os limites e se estabelecer também como um comunicador do poker, tentando levar o esporte da mente para o máximo de pessoas possível. “Não é à toa que hoje na Twitch eu busco muito networking com canais off-poker, sinto que posso levar o poker para outras comunidades”, contou. “Acho que já levei um grupo de pessoas a conhecer mais o poker através da Twitch e que meu foco agora vai ser em me tornar um comunicador.” Aquela competividade, a vontade de ser um dos melhores do mundo? Vitor não possui mais, principalmente ao conhecer melhor a realidade do jogo e o que é necessário para bater os buy-ins mais altos com consistência. “Não sei se hoje isso é algo que faz sentido para mim, eu quero muito subir até ali os buy-ins de US$ 109, jogar tranquilo, um buy-in que ainda tem muito recreativo. Hoje, não me vejo mais querendo estar entre os melhores do mundo. Acho que agora é só seguir o caminho, fazer o trabalho, já consigo ter a estabilidade que eu almejava quando comecei a Twitch, mas eu sei que tenho muito a desenvolver ainda.”

O SuperPoker, e toda a comunidade do jogo, estará de olho em Vitor e nos próximos passos de sua carreira.

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