A trajetória de Tom Goldstein ganhou novos contornos nos últimos meses. Conhecido por sua atuação como advogado na Suprema Corte dos Estados Unidos, ele acabou se tornando personagem central de um caso que mistura poker de alto nível, apostas milionárias e problemas com a Justiça. Em janeiro do ano passado, Goldstein foi indiciado por suspeita de evasão fiscal, em um episódio que colocou sua carreira jurídica sob forte escrutínio.
De acordo com as acusações, o ex-advogado teria utilizado recursos de sua própria empresa para sustentar hábitos de jogo, o que agravou a situação perante as autoridades federais. Apesar do histórico profissional de alto nível, o envolvimento frequente com jogos de alto risco acabou cobrando um preço elevado. Ainda assim, Goldstein manteve silêncio público até decidir falar abertamente sobre o caso.
Relatos de perdas, ganhos e apostas milionárias

Em entrevista recente à The New York Times Magazine, Goldstein detalhou sua experiência com o jogo. Segundo ele, as perdas acumuladas ao longo dos anos variaram entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões, além de dívidas diretamente ligadas às apostas. Mesmo assim, o ex-advogado ressaltou que nem tudo foi prejuízo em sua trajetória nas mesas.
Por outro lado, Goldstein afirmou ter registrado vitórias expressivas, incluindo um ganho estimado em US$ 26 milhões em confrontos contra o empresário Alec Gores. Além do poker, ele revelou que também passou a frequentar jogos privados de blackjack de altíssimos valores, ampliando ainda mais a exposição financeira.
Em alguns momentos, as cifras atingiram níveis extremos. Goldstein contou que chegou a perder US$ 9 milhões em uma única sequência, sendo posteriormente socorrido por crédito concedido por um bilionário não identificado. Em outra ocasião, relatou ter acumulado US$ 50 milhões apenas em ganhos provenientes de apostas, evidenciando a volatilidade de sua relação com o jogo.
Investidores

Grande parte dessas participações ocorreu por meio de backers e investidores, prática comum no poker profissional. Segundo o próprio Goldstein, ele utilizava capital de terceiros para jogar, dividindo eventuais lucros, modelo amplamente adotado no circuito. No entanto, essa estrutura passou a ser questionada quando as autoridades começaram a investigar a origem e a tributação dos valores.
Por fim, a situação mudou drasticamente com a atuação do promotor federal Stanley Okula, que aprofundou as investigações. Indiciado em um tribunal federal de Maryland, Goldstein responde por evasão fiscal e desvio de recursos. Atualmente em liberdade sob fiança, ele está proibido de jogar poker, mas não descarta um retorno às mesas após o encerramento do processo judicial.











