Carlo Ancelotti convocou os jogadores que vão defender o Brasil na Copa do Mundo de futebol. Entre os nomes, a presença de Neymar gerava enorme expectativa. Longe da Seleção desde outubro de 2023, o camisa dez do Santos vive um período de altos e baixos, principalmente por conta das constantes lesões.
No entanto, há pouco mais de uma década, Neymar se apaixonou pelo poker. O craque dos gramados conquistou bons resultados tanto no jogo presencial quanto no online. Além disso, algumas habilidades inerentes ao esporte da mente também aparecem durante partidas de futebol. Por isso, uma questão ganhou força: como o poker pode ajudar Neymar a conquistar o tão sonhado hexacampeonato?
A resposta para essa pergunta não é simples. Por esse motivo, o SuperPoker ouviu dois especialistas no trabalho mental com jogadores de poker. Bárbara Rossi atua como psicóloga há mais de 15 anos e trabalha com diversos atletas da mente. Já Marcelo Muller criou a “Academia Mental” e mantém um forte trabalho de produção de conteúdo nas redes sociais sobre o tema.
É importante ressaltar que ambos não analisaram o futebol apresentado por Neymar e também não trabalharam o psicológico individual do atleta. Ainda assim, os especialistas traçaram um paralelo entre a pressão de uma Copa do Mundo, ou na convocação, e os frequentes momentos de tensão em uma partida de poker.
Análise do Marcelo Müller sobre Neymar e o poker

O desempenho mental sob pressão recebeu análise de Marcelo Müller, que apontou uma relação de mão dupla entre poker e futebol. “A bagagem do Neymar como atleta de alto nível, acostumado a viver grandes decisões, o torna um jogador de poker melhor. Da mesma forma, enfrentar momentos de tensão nas mesas também o ajuda a lidar com as adversidades dentro de campo”, explicou o profissional.
Além disso, Müller destacou que a pressão sempre acompanha competições de alto nível. Porém, segundo ele, quanto maior a exposição a esses cenários, maior a força mental desenvolvida pelo atleta. “Se o Neymar experimenta a tensão no poker e consegue executar o seu jogo, ele está, na prática, treinando o próprio cérebro para lidar com a pressão em outros ambientes”.
Müller ainda fez uma analogia com o basquete, colocando em xeque dois jogadores responsáveis por fazer a cesta final. “Se um deles nunca teve a responsabilidade de decidir um jogo e o outro já passou por isso dez vezes, o desempenho daquele que tem mais vivência nesses momentos cruciais certamente será superior”, comparou.
Por fim, o treinador mental concluiu que “ao utilizar o poker para se expor à tomada de decisão sob risco e estar em uma zona de desconforto com mais frequência, ele (Neymar) cria uma bagagem emocional que será muito útil nos gramados”. Além disso, Müller acredita que as situações de estresse no poker se transformam em “um excelente preparo mental para os momentos de fechamento e decisão no futebol”.
Análise da Bárbara Rossi sobre poker e futebol

Por outro lado, Bárbara Rossi analisou o futebol como “um dos esportes mais complexos para o cérebro humano”. Segundo ela, os atletas precisam integrar constantemente diferentes funções dentro de campo, como:
- Cognição
- Tomada de decisão rápida
- Percepção espacial
- Coordenação motora
- Controle emocional – Atenção e foco sustentado
Já no poker, o desenvolvimento acontece através de “competências cognitivas e emocionais fundamentais para a alta performance esportiva”. Entre elas, aparecem:
- Regulação da ansiedade
- Autorregulação emocional
- Foco e concentração
- Controle da impulsividade
- Recuperação emocional após erros e perdas
- Paciência e tolerância à frustração
Sendo assim, no poker, o cérebro enfrenta desafios constantes em cenários de pressão, incerteza e risco. Bárbara ressalta que “isso estimula especialmente o córtex pré-frontal, região responsável pelo planejamento, controle dos impulsos, raciocínio lógico e clareza mental”.
A psicóloga também esclarece que o poker pode “fortalecer habilidades extremamente importantes também dentro de campo, para um jogador de futebol”. Outro ponto destacado por ela envolve um ensinamento comum do baralho: “nem sempre a melhor decisão gera o melhor resultado imediato”.
Por fim, compreender esse fator pode ajudar Neymar a lidar melhor com erros, derrotas e oscilações. Dessa maneira, a experiência no poker pode “passar a funcionar como um treino de inteligência emocional e fortalecimento mental — competências que fazem diferença tanto no esporte quanto na vida”, concluiu Bárbara Rossi, sem fazer referências diretas ao camisa 10 do Santos.










