COMPARTILHAR
Mateus Lessa - WSOP Circuit Bicycle Casino

Vivendo nos Estados Unidos há dois anos, Mateus Lessa iniciou o ano de 2019 da melhor forma, conquistando grandes resultados. Em janeiro, “Matu” fez heads-up no San Diego Classic, recebeu US$ 33 mil pelo resultado e conquistou o maior prêmio da carreira.

Menos de dois meses depois, o brasileiro alcançou outro grande resultado e ficou muito próximo do primeiro anel da carreira. Matu foi eliminado na terceira colocação do Main Event da WSOP Circuit Bicycle Casino e recebeu US$ 95.570.

Com mais este resultado, o profissional ultrapassa a marca de US$ 200 mil em premiações em prêmios live. “Eu, sinceramente estou longe do sentimento de que ‘a ficha caiu’. Parece clichê, mas não é, isso realmente acontece, pois é uma descarga de adrenalina muito grande. Me mantive muito sereno em cada decisão, desde que passei grande no Dia 1, mentalizei a mesa final, em fazer uma deep run e isso funcionou muito bem”, falou o jogador.

Apesar do resultado, o Mateus segue focado com seu planejamento. “Tudo isso é muito bom, mas mesmo sendo o maior resultado, eu me mantenho com os pés no chão e com a cabeça no lugar, pois tem muita coisa boa por vir. Tenho que me manter motivado, humilde e estudar o que eu errei”, revelou.

VEJA MAIS: All in triplo em board maldoso gera pote de 5400 big blinds no Live at the Bike

Matu também falou sobre a sequência de bons resultados. “Ganhar um prize grande motiva conquistar outro maior. Eu vou buscar isso, com certeza! Se não for no Rio, vai ser em Vegas e porque não um após o outro? O anel não veio, mas quem sabe o bracelete, já que ele é mais valioso. É muito bom você fazer o que ama, o que escolheu e ainda por cima pagar bem pra caramba. Se pagasse metade, eu trabalharia em dobro”.

O torneio

Mateus iniciou o Dia Final com o quarto maior stack e com duas rápidas eliminações a mesa final não oficial foi formada. “A reta final estava bem dura, principalmente quando o torneio reduziu para três mesas, no final do Dia 2, tinham muitos jogadores bons”, contou o brasileiro, que concluiu. “Antes do Dia 3 eu sempre dou uma estudada nos jogadores, dou uma olhada no HendonMob, o histórico dos jogadores. Não olho só o quanto já ganharam. Faço uma pesquisa correta pois a maioria já está jogando há muito tempo, por isso vejo os maiores prizes, os últimos torneios que fez ITM, qual faixa de buy in tem jogado. Tento a partir daí traçar um perfil e depois observar a característica técnica de cada um através da dinâmica da mesa, claro”.

Quando a mesa final foi formada, Matu reformulou seu plano. “Eu tinha um jogador de cash game caro na minha esquerda, o chip leader estava na minha direita, um adversário muito bom também. Mesmo estando espremido entre os líderes, consegui manter minha estratégia o tempo inteiro, me expor o menos possível e ser agressivo no momento certo”.

Mateus Lessa - WSOP Circuit Bicycle Casino
Mateus Lessa – WSOP Circuit Bicycle Casino
Um susto

A jornada do brasileiro poderia ter chegado ao fim quando restavam apenas sete jogadores em uma bad beat dolorosa. Mateus e o americano Jordan Meltzer se envolveram em um all in pré-flop em que ambos possuíam QQ.

Matu falou para o dealer “Rainbow board”. Mas o baralho resulveu aprontar e o flop trouxe duas cartas de ouros e no turn apareceu a terceira. O river foi uma blank preta e o brasileiro brincou. “Perdi dez dias de vida com esse split”.

Tendo o menor stack no 3-handed, Mateus acabou sendo eliminado em um all in pré-flop. Nos blinds 50.000/100.000, Andrew Moreno deu raise para 200.000 e recebeu call do small blind. A ação chegou no brasileiro que foi all in com 3.150.000 fichas.

VEJA MAIS: Tá na Mão: Phil Hellmuth explica como puxou pote de US$ 235 mil de forma “exótica”

O agressor inicial foldou e Sean Yu pagou após um longo período pensando. No showdown, o brasileiro mostrou 44 contra 99. O board não trouxe os outs necessários e Matu acabou se despedindo da competição.

O jogador falou os motivos que o levaram ir de shove nesse spot. “Os dois jogadores tinham 80 e 90 blinds. Optei por ir all in, pois possuía muito takedown, conseguiria recolher o dead money e crescer o stack para jogar um 3-handed em que eu era um franco atirador. Acabei dando azar que o cara que fletou tinha 99, mas pelo tempo que ele demorou para pagar, sem dúvidas ele foldaria 55, 66 e 77”.

O brasileiro também fez questão de dedicar o feito. “Primeiro para meu pai, Sávio, devo tudo a ele. Sempre me apoiou em tudo na vida e óbvio que também no poker. Sei que ele tá feliz e orgulhoso não só com o que conquistei, mas pela alegria que pude proporcionar pra tanta gente em um dia tão difícil pro Brasil. Foi foda pra mim acordar com as notícias, com essa loucura, outra tragédia, mas usei isso a meu favor. Fiquei muito feliz de poder fazer minha parte. Também quero oferecer pra todo mundo que torceu demais e deixou meu celular em colapso aqui. Em meio a Brumadinhos, Ninho do Urubu, Suzano e Milicianos, dar um pouco de alegria pra quem gosta de mim é bom demais, cara”.

VEJA MAIS: Jake Cody não é mais embaixador do PokerStars

Após o resultado, Matu volta para o Brasil. Além de um descanso, o jogador vem para uma sequência de eventos em que jogará o MILLIONS South America e o BSOP São Paulo. “Depois vou descansar e me preparar para brigar pelo bracelete igual brigo com os zagueiros com a 11 do Arapuca, meu time na várzea, que eu estava usando na FT”.

O campeão do torneio foi o sul-coreano Sean Yu, algoz do brasileiro. O jogador conquistou o sétimo anel da WSOP na carreira e o prêmio de US$ 210.585.